Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministro da Justiça defende Lula e diz que oposição usa investigações para atingir petista

José Eduardo Cardozo afirma ter 'total confiança de que ele não se envolveu nem permitira que alguém próximo se envolvesse em desmandos'

O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2015 | 10h02

Alvo de críticas dentro do PT, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, saiu em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado como um dos que mais desejam a substituição do titular da pasta responsável pela Polícia Federal, entre outras atribuições. "Conheço Lula há muitos anos e tenho a total confiança de que ele não se envolveu nem permitiria que alguém próximo dele se envolvesse em desmandos", afirmou Cardozo em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada nesta quarta-feira, 28. "Acho muito ruim que investigações em curso sejam utilizadas retoricamente pela oposição para atingi-lo na sua honra e na sua imagem política."

A declaração de Cardozo foi publicada dois dias após a PF, o Ministério Público Federal e a Receita Federal cumprirem mandados de busca e apreensão nas empresas de um dos filhos do ex-presidente, Luís Cláudio Lula da Silva, em São Paulo, como parte da Operação Zelotes, que inicialmente investigou um esquema de cancelamento de débitos tributários de grandes empresas e agora apura a suposta compra de medidas provisórias que promoveram benefícios fiscais a fabricantes de veículos automotores. A ação que teve um dos filhos de Lula como alvo estremeceu as relações entre o ex-presidente e a sucessora, Dilma Rousseff, que viajou nesta terça de Brasília a São Paulo para celebrar os 70 anos do padrinho político e tentar amenizar os efeitos da Zelotes.

Na entrevista, Cardozo repetiu o discurso de que não cabe ao titular da Justiça interferir em investigações em curso, seja envolvendo "amigos ou inimigos". "Não esperem de mim que eu diga 'Não investiguem A, B, C ou D, que enquanto eu estiver aqui isso não acontecerá", afirmou. As críticas ao ministro têm aumentado à medida que a Operação Lava Jato avança sobre políticos. Cardozo se defende de forma irônica. "Sempre que investigações atingem o mundo da política, o ministro da Justiça é alvo de bombardeio, de setores da base governista e também de oposicionistas. Vamos ser isonômicos."

Impeachment. O ministro da Justiça também disse que nunca teve receio real de um impeachment atingir Dilma. "Confio no Judiciário, no Legislativo, não acredito que o Brasil vá ter uma trajetória de interrupção da consolidação democrática. Não acredito em posturas que prevaleçam acima da democracia", afirmou Cardozo. As declarações foram feitas antes de ser noticiado que parecer da área jurídica da Câmara apontará que o mais recente pedido de abertura de processo pelo afastamento de Dilma não tem impedimentos legais para ser aceito pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O peemedebista tem usado a prerrogativa de poder desencadear ou arquivar um pedido de impeachment para se defender politicamente das investigações da Lava Jato, que detectaram contas secretas na Suíça em nome do deputado e de seus parentes e que pelo menos um depósito seria relacionado a propina de um contrato da Petrobrás. Cunha nega as acusações.

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