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Lula diz que intervenção é uma forma de Temer 'pegar nicho de Bolsonaro' e presidente rebate

Ex-presidente afirma que medida é 'pirotecnia' do presidente da República em busca de reeleição

Marcelo Osakabe e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 12h30
Atualizado 21 Fevereiro 2018 | 17h07

A intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro é uma "pirotecnia" criada pelo governo do presidente Michel Temer para tentar reelegê-lo, acusou nesta quarta-feira, 21, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, o líder petista afirmou ainda que não descarta alianças com o MDB nos Estados, uma vez que o partido seria uma "federação de grupos regionais" que não teria sido inteiramente favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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"Acho que o Temer está encontrando um jeito de ser candidato à Presidência da República. E acho que ele achou que a segurança pública pode ser uma coisa muito importante para ele pegar um nicho de eleitores do Bolsonaro", afirmou Lula, que está na capital mineira para um evento de comemoração dos 38 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores. "O Temer sabe que o que tirou a reforma (da Previdência) da pauta não foi ele nem a intervenção, mas pesquisas mostrando que os deputados não iam votá-la. (Então) eles pensaram: vamos criar outro espetáculo, e criaram a intervenção no Rio para passar para a sociedade a ideia que iam acabar os problemas", disse.

O petista criticou o uso das Forças Armadas, afirmando que elas não foram preparadas para esse tipo de tarefa. "O exército passou um ano na favela da Maré e quando saíram os problemas voltaram", disse, criticando ainda o fato de não existir um plano anunciado para a intervenção. "Obviamente ninguém pode ser contra uma tomada de posição emergencial para ajudar a diminuir a violência no Rio, mas isso não pode ser feito dessa forma estabanada, pensando apenas na política", afirmou.

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Em resposta a Lula, o presidente Michel Temer convocou o porta-voz, Alexandre Parola, para afirmar que a decisão não teve viés eleitoral.  “A agenda eleitoral não é, nem nunca o será, causa das ações do presidente. Assim o comprovam as reformas propostas na Ponte para o Futuro e que têm sido implementadas desde o primeiro dia da administração”, disse Parola.

O porta-voz afirmou que o Temer “reitera que toda e qualquer decisão de governo é regida exclusivamente pelas reais necessidades de encontrar soluções para os problemas do povo brasileiro”.  “O presidente da República não se influenciou por nenhum outro fator, a não ser atender a uma demanda da sociedade. É essa a única lógica que motivou a intervenção federal na área de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro.”

Quem também saiu em defesa do presidente Temer foi ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB). Ele tratou o atual ocupante do Palácio do Planalto como 'elegível', mas garantiu que atualmente Temer não cogita disputar as eleições. 

"Veja bem, o presidente é elegível, não é inelegível. É claro que, se ele vier no futuro a cogitar da possibilidade de disputar a eleição, ele tem condições de fazê-lo, mas hoje a posição do presidente é clara no sentido de não disputar as eleições", declarou Marun em entrevista na Câmara. 

Nos últimos dias, lideranças da base aliada passaram a dar como certa a candidatura de Temer à reeleição. A avaliação é de que o presidente deu uma sinalização forte nesse sentido ao autorizar intervenção na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, em uma tentativa de adotar uma pauta popular.

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ELEIÇÕES 

Questionado sobre a expectativa que tem quanto aos recursos apresentados por sua defesa no Tribunal Federal Regional da 4.ª Região (TRF-4) e no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a execução de sua prisão, Lula se disse "tranquilo" e que não começou a discutir "plano B ou C" porque acredita em sua absolvição. Ele ainda afirmou que não vê problemas em buscar alianças com o MDB nos Estados.

"Não existe essa de PMDB nunca mais, isso é bobagem.O PMDB em Minas Gerais é sustentáculo do governo (do petista Fernando) Pimentel, grande parte dele se colocou contra o impeachment da Dilma", avaliou o ex-presidente. "O PMDB não é um partido nacional, mas uma federação de grupos regionais. Cada Estado é um PMDB", acrescentou, criticando ainda aqueles que dizem que nunca irão abandonar seus princípios em função da construção de um projeto eleitoral viável. "Tenho que construir uma aliança que me permita fazer isso (melhorar a vida do povo), senão serei o melhor candidato do mundo e não ganharei as eleições."

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Lula ainda teceu elogios ao empresário Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas e filho de seu vice-presidente José Alencar. "Josué é pessoa extraordinária, filho de uma pessoa extraordinária. É um bom quadro", afirmou, para depois contemporizar. "Quando chegar a hora de procurar um vice, vou procurar. Mas obviamente vice é somatória de interesses políticos, econômicos, sociais."

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