Miguel Schincariol/AFP
Miguel Schincariol/AFP

Lula confirma que vai se entregar à PF

Ex-presidente reforçou críticas à Lava Jato, à imprensa e deixou o palco após convocar apoiadores a se tornarem 'milhões de Lulas pelo País'

O Estado de S.Paulo

07 Abril 2018 | 13h31

Em discurso de mais de uma hora a uma multidão de apoiadores neste sábado, 7, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que vai se entregar à Polícia Federal, cumprindo o decreto de prisão do juiz Sérigo Moro. "Vou cumprir o mandado deles. Estou fazendo uma coisa muito consciente. Se dependesse da minha vontade, eu não iria. Eu vou porque não vão dizer amanhã que eu estou escondido, que eu estou foragido", disse ao público em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, após homenagem religiosa a sua falecida esposa, Marisa Letícia. 

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Manifestantes reagiram com gritos para que o petista não se entregasse, mas aplaudiram a decisão e cada fala. Com voz rouca e tom ainda mais acalorado do que nos últimos pronunciamentos, Lula reafirmou ser inocente e reforçou críticas à imprensa e à Lava Jato. Relatou, também, que muitos sugeriram que ele buscasse embaixadas de outros países como refúgio.

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"Eu sairei desta maior, mais forte, mais verdadeiro e inocente, porque quero provar que eles é que cometeram um crime político", disse, voltando a acusar membros da Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário de mentirem no processo que investiga o caso do triplex do Guarujá.

Entre várias críticas, acusou a Rede Globo, revista Veja, Bandeirantes, Record e a imprensa como um todo de suposta conspiração. "Lá em Curitiba eu disse ao Moro: você não tem condições de me absolver porque a Globo está exigindo que você me condene." Também defendeu que ministros da Suprema Corte não possam anunciar votos publicamente, para que não sejam pressionados pela opinião pública. "Quem quiser votar com base na opinião pública, largue a toga e vá ser deputado, escolha um partido político."

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Depois de citar seu histórico como líder sindical e greves dos anos 70 e 80, o ex-presidente listou projetos sociais de seus dois governos, em especial o investimento em educação e criação de universidades. "Sonhei que era possível pegar estudantes da periferia e colocá-los nas melhores universidades deste País, para que a gente não tenha só juízes e procuradores da elite. Daqui a pouco, vamos ter juízes e procuradores nascidos em Heliópolis, em Itaquera, sem-teto."

Sem citar sua pré-candidatura à Presidência, o petista convocou os militantes a se tornarem "novos Lulas" pelo País. "Não adianta eles acharem que vão fazer que eu pare. Eu não pararei porque eu não sou um ser humano. Eu sou uma ideia", definiu. E terminou o discurso chamando ao seu lado os pré-candidatos do PSOL e do PC do B, Guilherme Boulos e Manuela D'Ávila. "Para mim, é motivo de orgulho pertencer a uma geração que está no final dela vendo nascer dois jovens disputando o direito de ser presidente da República."

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, assumiu o microfone entoando gritos de "Lula guerreiro do povo brasileiro". Lula entrou no prédio do sindicato, acompanhado por aliados.

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