Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em nova defesa de Cristiane, Marun descarta pressionar PTB para alterar indicação

Titular da Secretaria de Governo reafirma que governo vai continuar insistindo na prerrogativa de presidente nomear ministros

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2018 | 12h19

BRASÍLIA - Apesar de alguns auxiliares do presidente Michel Temer admitirem que o ideal é que o PTB indique um novo nome para o lugar da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para chefiar o Ministério do Trabalho, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou nesta segunda-feira, 5, que o governo não fará nenhum pedido ao partido. “Não vamos solicitar que o PTB faça qualquer alteração”, disse o ministro em coletiva de imprensa.

Além de a posse da filha do deputado Roberto Jefferson estar barrada pela Justiça há um mês, no final de semana surgiram novas acusações contra Cristiane que ampliaram o desgaste em torno da indicação. Conforme revelou o Estado no último sábado, Cristiane é alvo de um inquérito que apura suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico durante a campanha eleitoral de 2010.

A investigação foi enviada na sexta-feira, 2, à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, porque Cristiane possui foro privilegiado. Além disso, no domingo, 4, o programa Fantástico, da TV Globo, mostrou que Cristiane foi flagrada ameaçando servidores públicos para conseguir votos na sua campanha à Câmara dos Deputados, em 2014.

Marun - que é conhecido como da tropa de choque do governo e também por suas declarações polêmicas e sempre otimistas - voltou a defender a parlamentar. “Não existe nada provado contra a ministra e nem que a denigra”, afirmou.

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Segundo o ministro, o governo “não tem o direito” de desistir da prerrogativa privativa do presidente da República que é nomear ministros. “Estamos numa luta maior que é pelo respeito a Constituição. Não temos o direito de desistir dela”, afirmou. “O governo continua e vai continuar insistindo na prerrogativa do presidente em nomear ministros.”

Questionado se valia a pena o desgaste e se o governo estaria fazendo isso por conta dos votos do partido para a reforma da Previdência, o ministro disse que o partido de Jefferson já deve dar a maioria dos votos a favor da reforma. “Os votos do PTB (para a Previdência) não são fatores marcantes pela nossa decisão (de manter nomeação da ministra)”.

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Na semana passada, Cristiane fez sua defesa própria contra uma condenação em ações trabalhistas a bordo de um barco. Na gravação, ela permitiu que desconhecidos opinassem sobre o tema.

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Veja o vídeo

 

DEFESA

A parlamentar divulgou nota sobre o imbróglio de sua posse: "Venho sofrendo uma campanha difamatória que busca impedir minha posse no Ministério do Trabalho. Peço, respeitosamente, à ministra Cármen Lúcia que julgue o mais rápido possível essa questão, baseada na existência de duas ações trabalhistas que tive no passado. Não devo mais nada à Justiça Trabalhista. Estou sendo julgada política e não juridicamente. Tenho a ficha limpa. Mas, infelizmente, o meu julgamento superou essa esfera. Preciso que o STF decida essa questão, para que eu possa seguir minha vida política. Seguirei não poupando esforços para provar que não cometi nenhuma ilicitude".

 

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