Taís Seibt
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Economista carioca faz greve de fome em solidariedade a Lula

Richard Faulhaber, de 62 anos, divide espaço com tendas da agricultura familiar do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no hall de entrada da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul

Taís Seibt, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 18h39

PORTO ALEGRE - No hall de entrada da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o economista carioca Richard Faulhaber, de 62 anos, dividia espaço com as tendas da agricultura familiar do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na manhã desta quarta-feira, 17. Da feira, ele só pediu emprestada uma caixa vazia para que a repórter pudesse se sentar. Faulhaber está em greve de fome desde o dia 10 de janeiro, num ato que ele define como “declaração de amor e solidariedade a Lula e ao povo brasileiro”.

O objetivo é se manter à base de água e soro de hidratação até o dia 24 de janeiro, quando Lula será julgado no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). Sem aporte institucional nem ligação direta com movimentos sociais, embora tenha se filiado ao Partido dos Trabalhadores em 1981, Faulhaber conta com a solidariedade de simpatizantes e o apoio da mulher, Márcia, que não faz greve de fome, mas dá suporte logístico.

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Por questão de segurança, alertados sobre os riscos do Centro Histórico de Porto Alegre, o casal tem passado as noites em uma ocupação, à qual chegaram por intermédio de ativistas locais. Um médico do MST monitora o estado de saúde do economista, que cumpre expediente no hall da Assembleia das 7h30min até as 20 horas, com cartazes espalhados ao seu redor. No entra e sai da Casa Legislativa, já se tornou conhecido de funcionários e parlamentares. Um servidor até lhe ofereceu um exemplar do jornal local que tinha publicado uma nota sobre seu protesto solitário.

Não era para ser uma greve de fome de uma pessoa só. Essa é uma forma complementar de luta, porque as formas tradicionais não estão sendo suficientes. Pode ser uma semente”, afirma.

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Faulhaber diz que a ideia da greve de fome é inspirada em Gandhi. O plano inicial era que o ato ocorresse em um local público, com câmeras, em que ele pudesse passar 24 horas vigiado, para comprovar que não come escondido. Chegou a Porto Alegre cinco dias antes de começar a manifestação para tentar se articular com movimentos sociais e parlamentares da esquerda. Não houve acordo e ele acabou iniciando a greve de fome na Catedral Metropolitana, que fica no mesmo quarteirão da Assembleia Legislativa. Foi expulso pelo padre, que chamou a Brigada Militar para retirá-lo do local, apesar do argumento religioso ser marcante no seu discurso.

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Somos todos irmãos e como irmãos temos que tentar resgatar os mais desfavorecidos, não só com ações pessoais de caridade, a política é sagrada, ter políticos comprometidos com isso é fundamental”, diz, passando a enumerar programas sociais criados nos governos Lula e Dilma.

Antes de cursar a faculdade de Economia, Faulhaber chegou a fazer retiros vocacionais para se tornar padre. Teve uma formação religiosa na linha da teologia da libertação nos anos 1970 e já recorreu a jejuns de purificação espiritual quando atravessou momentos familiares difíceis. Fiscal municipal no Rio, traz da carreira parte da indignação. Afastado do trabalho por conta de uma depressão, o economista passou a dar aulas de matemática voluntariamente a crianças do Morro do Turano.

Vi o impacto da educação naqueles meninos. Há muita injustiça na legislação tributária, que não tributa adequadamente os mais ricos para dar saúde, educação e moradia de qualidade aos mais pobres. Os governos Lula e Dilma estavam nesse caminho”, diz.

Pela admiração que nutre aos propósitos sociais dos governos petistas, a iminência de uma condenação que pode impedir Lula de concorrer à Presidência motivou Faulhaber a protestar.

No oitavo dia de manifestação, ele já se sente um pouco debilitado e diz ter medo de “apagar”. O verão porto-alegrense não chega a ser um aliado, com temperaturas acima dos 30º e dias abafados.

Vou aguentar até o limite da minha saúde”, garante.

Sem a vigilância permanente de câmeras, ele aposta no emagrecimento como prova de que manteve o propósito. Porém esqueceu de subir na balança antes do jejum.

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