Fábio Motta / Estadão
Fábio Motta / Estadão

Boulos espera renovação política do Congresso e não apenas nominal

'O voto não é um cheque em branco. O povo tem que ser ouvido e participar', diz pré-candidato do PSOL

Roberta Pennafort e Renata Batista, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 17h21

RIO - O pré-candidato do PSOL à presidência, Guilherme Boulos, disse nesta terça-feira, 8, que espera uma renovação profunda do Congresso Nacional. Segundo ele, essa renovação não deve ser apenas nominal, mas também política e de projeto. É necessário desenvolver um modelo mais participativo, defendeu.

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“Essa forma de governar está falida. Não é possível governar apenas em cima de maiorias parlamentares. O voto não é um cheque em branco. O povo tem que ser ouvido e participar”, disse Boulos, após falar para a plateia de prefeitos da 73ª reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), realizada em Niterói, na região metropolitana do Rio.

De acordo com Boulos, o sentido da candidatura do PSOL é o sentimento de o país vive uma crise de representação em todos os níveis, com uma forte judicialização da política. “A desilusão do povo com a política muitas vezes é justificada. O sistema construiu um abismo à participação popular”, disse, e acrescentou que a democratização do estado brasileiro precisa passar pelo judiciário. “É muito difícil governar com procuradores, promotores, juízes que não foram eleitos pelo povo, mas que fazem política. Quando se trata de gestão, deve ser reservado ao eleito pelo povo”, completou.

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Na palestra para os prefeitos, Boulos percorreu os pontos da Carta de Niterói, que será entregue aos candidatos e inclui temas de Educação, Saúde, Segurança e Pacto Federativo. Ele defendeu a tentativa de aumentar o IPUT do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, um dos possíveis candidatos do PT ao governo caso o ex-presidente Lula desista da candidatura. A iniciativa acabou judicializada e só foi aprovada no último ano de Haddad na prefeitura.

Para ele, que é líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a questão urbana reflete o desafio da desigualdade.  “Desigualdade no Brasil tem território. Se desenvolve nas cidades, no espaço urbano e se reproduz pela lógica da especulação imobiliária. Não é possível fazer governança justa com desregulação do território. A política pública urbana não pode ser definida pelo setor imobiliário”, afirmou.

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