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Prendam o juiz, pressionem o Supremo, atirem no mensageiro e controlem a PF

Pacote governista inclui pressionar Judiciário, colocar o juiz Sérgio Moro sob suspeição e dizer que 'estabilidade democrática' corre riscos

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Alberto Bombig

22 Março 2016 | 14h26

O governo deu nesta terça-feira, 22, a pincelada final no seu mais duro pacote anticrise e anti-impeachment, que inclui basicamente seis pontos: ameaçar a Polícia Federal, colocar o juiz Sérgio Moro sob suspeição ao atacar a divulgação dos áudios, constranger o Supremo, transformar o Palácio do Planalto e a Advocacia-Geral da União em bunker petista,  atirar (como sempre) nos mensageiros e dizer que "estabilidade democrática" corre riscos.

Falta nesse pacote, como sempre, uma única palavra sincera sobre a gravidade dos fatos revelados pelo conjunto da Operação Lava Jato, que nesta terça esteve novamente nas ruas em mais uma surpreendente e reveladora etapa. Enquanto Dilma Rousseff, a presidente, e seu advogado, José Eduardo Cardozo, discursavam no Planalto, os policiais interrogavam e prendiam mais uma leva de acusados de terem cometidos pesados crimes. Ambos, no entanto, apenas falaram em "combater a corrupção" de maneira conceitual, quase etérea, preferiram repisar a toada de criminalizar a investigação e o impeachment.

Caberá à Justiça definir se a Lava Jato extrapolou direitos e garantias institucionais e individuais. Se extrapolou, a lei deve ser cumprida. De resto,  se o pacote vai dar certo, os próximos dias responderão. Já é líquido, porém, que Dilma colocou sua biografia sob julgamento da história.

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