Sérgio Neves/Estadão
Sérgio Neves/Estadão

Abrir mão do Estado pode custar caro a Alckmin e a tucanos

Já faz quase dez anos, mas a lembrança da eleição de 2008 ainda está bem marcada na memória do governador paulista

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2018 | 05h00

Já faz quase dez anos, mas a lembrança da eleição de 2008 ainda está bem marcada na memória do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB). Ele bateu o pé, dividiu o palanque governista em dois e viabilizou sua candidatura à Prefeitura de São Paulo contra Gilberto Kassab (PSD), dono da máquina, vice de José Serra e aliado de primeira ordem do PSDB. O resultado é conhecido: na terceira colocação, viu Kassab ir ao segundo turno com Marta Suplicy, ainda petista, e depois assegurar a reeleição com o apoio dos tucanos.

Em 2018, Alckmin está do lado oposto. Ao defender palanque único na corrida estadual, luta contra o risco de perder o comando do governo (em plena campanha para a Presidência), não fazer seu sucessor (repetindo o erro de Aécio Neves em Minas em 2014) e ainda ver a chance de angariar apoios nacionais usando o Estado como moeda de troca se distanciar.

Se no cenário nacional Alckmin não se firmou como candidato competitivo para substituir Michel Temer nem se mostrou capaz de unificar as forças do centro político, mesmo após a condenação de Lula em segunda instância, no cenário estadual o que está em risco é o legado alckmista.

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É agora, na segunda disputa presidencial a ser enfrentada pelo tucano, que seus 13 anos (não consecutivos) à frente do Estado mais rico do País precisam fazer a diferença. Ter problemas em seu reduto é ter problemas na eleição - e problemas não têm faltado nessa fase de pré-campanha.

Se não bastasse ser obrigado pelo prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, a disputar prévias para virar oficialmente o presidenciável tucano, Alckmin ainda assiste o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso elogiar publicamente uma possível entrada do apresentador Luciano Huck na disputa.

Aparentemente alheio até aqui ao dilema de ter ou não candidato próprio em São Paulo - o apoio a Marcio França, seu vice, depende de ele assegurar o PSB na aliança nacional -, Alckmin mantém a estratégia de jogar parado, aguardando que as coisas se resolvam com o tempo, sem que ele tenha de intervir publicamente.

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Deu certo ano passado quando o prefeito da capital, João Doria, se movimentava para furar a fila e tirar do governador a vez na disputa presidencial. O ‘gestor’ queimou a largada, abusou das viagens, ficou com a fama de abandonar a cidade e viu sua rejeição chegar a quase 40%, o que, praticamente, o tirou da corrida.

Mas agora, a oito meses da eleição, o plano parece arriscado. Disposto a entrar na briga estadual, Doria volta a atrapalhar os planos de Alckmin ao dividir a base do governador. O alento é que, pela primeira vez, Alckmin e Serra parecem ter se acertado em um ponto: Doria não é a primeira opção para nenhum dos dois. Aliados próximos de ambos afirmam que, para frear as intenções de Doria, vale até pagar o preço de filiar França no PSDB. A solução asseguraria o poder da máquina - cerca de 40 mil comissionados - e o número do partido na urna.

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