Vaccarezza diz a mulher de empreiteiro preso que “está à disposição”

Grampo da Polícia Federal em telefone de executivo da OAS, Léo Pinheiro, captou ligação, dez dias após deflagração da Operação Juízo Final, em que ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara fala em "injustiça"; ouça o áudio

Redação

23 Fevereiro 2015 | 19h00

Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

A Polícia Federal interceptou o ex-deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP) em conversa telefônica com a mulher do executivo José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, da construtora OAS, em que ele se “colocou à disposição” da família “para qualquer situação”. O empresário foi um dos presos no dia 14 de novembro, na sétima fase da Operação Lava Jato – batizada de Juízo Final.

“Esse (telefone) de Brasília fica ligado direto, pode ligar, se quiser alguém ligar pode mandar. No que precisar eu estou à disposição”, avisa Vaccarezza, quando ainda era deputado. A conversa foi monitorada por meio das interceptações feitas nos telefones de Léo Pinheiro, inclusive em um aparelho usado pela mulher do executivo.

A ligação ocorreu às 15h do dia 24 de novembro, dez dias após ser deflagrada a primeira ofensiva contra o braço empresarial do esquema de corrupção na Petrobrás. Foi Vaccarezza quem ligou para a mulher do acusado.


“Alô, Ângela, aqui é o Vaccarezza. Eu sei que não está tudo bem, eu estava no exterior. Eu estou ligando primeiro para me solidarizar e para dizer que sou amigo do Léo. Eu sei que você não precisa de nada, mas se você precisar de alguma coisa, queria que contasse comigo.”

O ex-líder do governo na Câmara dos Deputados, entre 2010 e 2012, Vaccarezza diz estar “sofrendo bastante” com a prisão do executivo da OAS.

“Eu sou amigo dele (Léo Pinheiro) de muitos anos. Não tem nada de política, não tem negócios, eu gosto de Léo pessoalmente”, argumento Vaccarezza.

“Acho injustiça como ele está sendo tratado. Pode ter certeza e falar para os seus filhos que ele é um homem de bem não merecia ser tratado desse jeito.”

A mulher informa Vaccarezza que visitaria o marido nos próximos dias. Pinheiro está preso na custódia da PF, em Curitiba, desde o dia 14 de novembro. “Eu queria que você desse um abraço”, diz o ex-deputado.

Relatório. A PF já tinha encontrado citações ao nome do ex-deputado. Relatório de monitoramento sobre o doleiro Alberto Youssef identificou troca de mensagem entre ele e o ex-deputado André Vargas (expulso do PT e cassado) em que é citado o nome de Vaccarezza.

“Os indícios apontam que o alvo Alberto Youssef mantinha relações com o deputado federal Cândido Vaccarezza, inclusive indicando que houve uma reunião na casa do deputado federal Vaccarezza, reunião esta entre Alberto Youssef, deputado federal André Vargas e Pedro Paulo de Leoni Ramos.” Ramos é ex-ministro do governo Fernando Collor e era sócio de Youssef em negócios de investimento.

O ex-deputado tem negado qualquer irregularidade. Procurado ontem, ele não foi encontrado.

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