TRF2 manda prender Picciani e outros dois deputados do PMDB do Rio

TRF2 manda prender Picciani e outros dois deputados do PMDB do Rio

Por unanimidade, cinco desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região decretaram a prisão do presidente da Assembleia Legislativa, do ex-presidente da Casa Paulo Melo e, ainda, do líder do Governo Edson Albertassi

Constança Rezende e Fernanda Nunes

16 Novembro 2017 | 14h59

Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi. Fotos: Tania Rego/Agência Brasil, Fabio Motta/Estadão e Alerj

Por unanimidade, cinco desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Regional (TRF-2) decretaram nesta quinta-feira, 16, a prisão preventiva do presidente da Assembleia Legislativa do Rio e do PMDB fluminense, Jorge Picciani, do ex-presidente da Casa Paulo Mello e do líder do Governo, Edson Albertassi. As prisões ocorrem no âmbito da Operação Cadeia Velha, que investiga suposta corrupção operada a partir do Legislativo estadual, e atinge duramente a cúpula peemedebista. Agora, a Assembleia terá de decidir se confirma ou revoga a decisão.

‘Você é nosso líder, conte comigo pra qualquer parada’

+ No Zap, Pezão recorreu a Picciani para reconduzir juiz ao TRE do Rio


+ Empresa de Picciani fez até ‘terceirização’ de lavagem de dinheiro, diz Procuradoria

Picciani e Paulo Melo pegaram R$ 112 mi em propinas, diz Procuradoria

Em seu voto pela prisão e afastamento dos cargos, o relator do processo, Abel Gomes, alegou que provas recolhidas pelo Ministério Público Federal (MPF) demonstram que os três parlamentares estão envolvidos em esquemas de corrupção ativa e passiva e de lavagem de dinheiro. Como as irregularidades permanecem, a prisão foi considerada em flagrante, como informou o tribunal, por meio de sua assessoria de imprensa.

“Nossa decisão é problema nosso. A decisão da Alerj é problema dela”, disse o desembargador Messod Azulay. “O desequilíbrio fiscal se deve a essas pessoas. Essas pessoas precisam ser lamentavelmente afastadas do convívio da sociedade. Se tiver que submeter à Alerj que se submeta e a história que julgue.”

Não há um chefe mor, mas um comando horizontal da grande confraria do crime organizado do Rio, diz PF

O Rio definha e ‘esses sujeitos se empapuçam com dinheiro da corrupção’, diz procurador

Na última terça-feira, 14, Picciani, Mello e Albertassi foram conduzidos coercitivamente pela Polícia Federal para prestar depoimento à Operação Cadeia Velha, um desdobramento da Operação Lava Jato. Nesta quinta-feira, 16, o colegiado da Primeira Seção Especializada do TRF-3 se reuniu por volta das 13h para definir se acataria a acusação do MPF.

O mandado de prisão preventiva foi expedido imediatamente após a conclusão da sessão especial do TRF-2, por volta das 15h. Mas os três deputados poderão ser soltos em seguida, caso essa seja a decisão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que será notificada ainda nesta quinta-feira, 15.

Os cinco desembargadores que formaram o colegiado do TRF-2 – além de Gomes e Azulay, Paulo Espírito Santo, Marcelo Granado e Ivan Athié (presidente) – chegaram a debater se a Assembleia tem o poder de suspender a decisão judicial. Houve discussão sobre a prerrogativa aberta pelo caso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que foi liberado pelo Senado após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pelo seu afastamento do cargo e recolhimento noturno em casa.

Por fim, o presidente do colegiado do TRF-2 deliberou a prisão e remeteu o caso à Alerj, sem detalhar o que acontecerá no futuro. Presente à sessão, o procurador regional da República Carlos Alberto Aguiar antecipou, no entanto, que vai retornar ao tribunal para pedir o afastamento dos três deputados do cargo, caso a Assembleia Legislativa derrube a decisão judicial.

Picciani, Melo e Albertassi são acusados de manterem “relações espúrias e promíscuas” com empresas de transporte público e com o Grupo Odebrecht, segundo o relator do processo. Os deputados teriam recebido propinas de mais de R$ 100 milhões.

“Há indicação suficientemente comprovada de que os três deputados receberam por anos a fio” propina para favorecer esse grupo de empresas, afirmou Gomes.

O magistrado destacou ainda que, como acusa o MPF, Picciani participa de esquemas de desvio de recursos públicos desde o fim da década de 90. Gomes, ao ler o pedido de prisão preventiva e de afastamento do cargo, argumentou que o “pior autoritarismo é o exercido de forma dissimulada”, em referência aos políticos que usam o poder atribuído pela população para o favorecimento próprio.
O tema do autoritarismo foi tratado também pelo presidente da República, Michel Temer, ao participar de evento ontem. Segundo Temer, o povo brasileiro tem tendência a “sempre caminhar para o autoritarismo”.

Defesa. Na terça-feira, os três parlamentares negaram seu envolvimento em crimes. Picciani, em nota, classificou de “covardia” a prisão de seu filho, Felipe Picciani. O objetivo, afirmou o parlamentar, seria atingi-lo.

No fim da tarde, Picciani e Melo se apresentaram para serem presos na sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, na Praça Mauá, no Centro da capital fluminense.