‘Sempre pela garagem, viu?’, recomendou Temer a Joesley

‘Sempre pela garagem, viu?’, recomendou Temer a Joesley

Em conversa gravada pelo empresário, presidente ainda ressaltou aspecto da visita noturna do dono da JBS ao Jaburu: ‘não tem imprensa’

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fábio Serapião

27 Junho 2017 | 13h36

Michel Temer. FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADAO

Um dos trechos da conversa entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o empresário Joesley Batista, da JBS, na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu, recuperados pela Polícia Federal, revelou uma recomendação do peemedebista ao executivo: “Sempre pela garagem, viu?”. A frase consta da perícia da PF, após o pente-fino sobre o arquivo em pen drive entregue como parte da delação de Joesley.

Naquela noite, Joesley e Temer se reuniram por cerca de 40 minutos. Na metade do encontro, o executivo diz ao presidente. “Eu, eu, prefiro combinar assim, ó: se for alguma coisa que eu precisar, tal, então eu falo com Rodrigo, se for algum assunto desse tipo aí…”


O ‘Rodrigo’ a quem Joesley se referia era o ex-assessor especial do presidente e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMRB-PR). Temer e seu aliado foram denunciados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por corrupção passiva.

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OUÇA TEMER E JOESLEY

A conversa segue.

Temer responde. “Ai voce (ininteligivel).”

“É…”, diz Joesley.

Temer: “Pela garagem.”

Joesley: “{Pela} garagem.”

Temer: “(lninteligivel) sempre pela garagem, viu?”

Joesley: “Funcionou super bem, à noite …”

Temer: “É.”

Joesley: “… onze hora da noite, meia-noite, dé … dez e meia, vem aqui.”

Temer: “(Ininteligível). Não tem imprensa.”

Joesley: “A gente conversa uns dez minutinho, uma meia horinha, vou embora.”

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Michel Temer é o primeiro presidente da história da República brasileira a ser acusado formalmente de crime durante o exercício do mandato. Em 1992, Fernando Collor de Mello foi denunciado quando já estava afastado do cargo.

O peemedebista também poderá ser acusado pelo crime de obstrução à investigação de organização criminosa. O relatório da Polícia Federal foi encaminhado nesta segunda-feira, 26, ao Supremo, no qual também vê a mesma conduta criminosa do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e do empresário e delator Joesley Batista.

O ministro Edson Fachin concedeu mais cinco dias de prazo, contanto a partir desta terça-feira, 27, para a denúncia ser apresentada. A expectativa é que Janot apresente uma nova acusação formal, fatiando a medida.

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