PF faz buscas que miram Eunício

PF faz buscas que miram Eunício

Senador não é alvo de nenhum dos oito mandados de buscas autorizados por Fachin, mas investigados são ligados ao presidente do Senado

Fábio Serapião, Luiz Fernando Teixeira e Fausto Macedo

10 Abril 2018 | 18h18

Eunicio Oliveira (MDB-CE). Foto: Ed Ferreira/Estadão

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 10, a Operação Tira-Teima, que investiga pagamentos de vantagens indevidas, por partes de um grupo empresarial a políticos, para obter benefícios em medidas de interesse do grupo econômico.

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Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin ordenou oito mandados de busca e apreensão em São Paulo, Goiânia e Fortaleza, cumpridos por 40 agentes da PF. A ação teria como objetivo aprofundar a investigação sobre o senador Eunício Oliveira (MDB), presidente do Senado.

O senador não é alvo de nenhuma diligência e nega que pessoas ligadas sejam alvos de busca e apreensão.

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O senador é alvo de inquérito no Supremo, aberto em abril de 2017, que o investiga por supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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A finalidade das medidas é buscar documentos e outros elementos de aprofundamento da investigação, considerando a notícia de doações de campanha abalizadas através de contratos fictícios. A operação é decorrente de delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Hypermarcas, Nelson Mello. 

Segundo Mello, na eleição de 2014,  foram pagas “despesas de empresas que prestavam serviços à campanha de Eunício Oliveira” por meio de “contratos fictícios” no valor total de 5 milhões de reais. As empresas que teriam recebidos os valores por meio dos contratos fraudulentos seriam a Confirma Comunicação e Estratégia, a Campos Centro de Estudos e Pesquisa de Opinião e Confederal Prestadora de Serviços de Vigilância e Transporte de Valores, de propriedade dda família de Eunício.

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Inclusive, um dos mandados da operação desta terça-feira foi cumprido na sede Hypera Pharma, novo nome da Hypermarcas. Eles mudaram de nome em fevereiro por decisão da assembleia geral extraordinária da empresa.

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Em 2016, Mello afirmou em seu depoimento à Procuradoria-Geral da República que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar repasses de propinas milionárias para senadores do então PMDB, entre eles o ex-presidente do Congresso, Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM).

COM A PALAVRA, A HYPERA PHARMA
Nesta manhã, há operação de busca e apreensão no escritório da Companhia em São Paulo para colher documentos relacionados à colaboração do ex-diretor de Relações Institucionais da Companhia, Nelson Mello.

A Companhia reitera que não é alvo de nenhum procedimento investigativo, nem se beneficiou de quaisquer atos praticados isoladamente pelo ex-executivo, conforme já relatado ao longo do ano de 2016 em vários comunicados.

COM A PALAVRA, EUNÍCIO
O senador Eunicio Oliveira, por meio de sua assessoria, informa:

Ele não foi alvo da Operação Tira-Teima. Tampouco pessoas ou empresas ligadas a ele foram alvo, ou sequer abordadas, na ação realizada na manhã dessa 3a feira 10/04.