Fachin autoriza envio de perguntas da Procuradoria a Eunício

Fachin autoriza envio de perguntas da Procuradoria a Eunício

Presidente do Senado é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro com base na delação do ex-diretor de Relações Internacionais da Hypermarcas, Nelson José de Mello

Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

02 Fevereiro 2018 | 19h35

BRASILIA DF 16/03/2017 POLITICA Presidente do Senado FederaL, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), concede entrevista. Foto: Marcos Brandão/Senado Federal

BRASÍLIA – O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (01) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) envie 12 perguntas para o presidente do Senado Eunício de Oliveira (MDB-CE). O senador é alvo de inquérito no Supremo, aberto em abril de 2017, que o investiga por supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele terá 15 dias para responder os questionamentos, se desejar.

A investigação é baseada na delação do ex-diretor de Relações Internacionais da Hypermarcas, Nelson José de Mello.

Nelson contou ao Ministério Público Federal (MPF) que pagava propina a deputados e senadores do MDB. Disse ter repassado R$ 5 milhões para a campanha de Eunício ao governo do Ceará, em 2014, por meio de contratos fictícios firmados com empresas do grupo.

Perguntas. Entre os questionamentos, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, quer saber como o presidente do Senado conheceu Nelson, em que circunstâncias e se alguém os apresentou.

Numa das perguntas, a PGR questiona se Eunício lembra de ter tratado sobre algum projeto de lei, resolução ou outra medida normativa com o ex-diretor da Hypermarcas. “Teve relação de negócios, direta ou indireta, com Nelson Mello, Milton Lyra ou com a Hypermarcas? De qual natureza? Pediu contribuição para a campanha?”, questiona Raquel na sétima pergunta.

A PGR também pergunta se Eunício conhece o lobista Milton Lyra, investigado na Lava Jato. Outra pergunta investiga a relação do senador com Ricardo Lopes Augusto, que é sobrinho Eunício e administrador da Confederal, empresa ligada ao congressista. Lopes foi citado na delação do executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho como operador de propinas a Eunício. A Confederal foi alvo de busca e apreensão de possíveis provas em março de 2017, na Operação Satélites.

“Como é sua relação com Ricardo Lopes Augusto? Pediu a ele ajuda financeira ou que ele arrecadasse recursos para a sua campanha? Ele o fez espontaneamente? Pediu a ele ajuda financeira ou que ele arrecadasse recursos para a sua
campanha? Ele o fez espontaneamente?”, quer saber a PGR, que também pede que Eunício esclareça sua atual relação com a Confederal.

“Defiro o pleito deduzido pelo Ministério Público Federal, oportunizando à defesa constituída pelo investigado Eunício Lopes de Oliveira o prazo de quinze dias para, querendo, manifestar-se a respeito dos questionamentos contidos nos tópicos acima listados.”, decidiu Fachin.

Procurada, a assessoria do congressista afirmou por meio de nota que “o senador Eunício Oliveira não comenta investigações judiciais em andamento.”

COM A PALAVRA, A HYPERMARCAS

* O ex-executivo agiu por iniciativa própria, sem a participação de outros administradores e/ou colaboradores da Companhia;

* A empresa não participou e nem se beneficiou, de forma alguma, dos atos praticados pelo ex-executivo;

* O ex-executivo ressarciu a empresa dos prejuízos sofridos