Para PT, busca na casa de Wagner reflete “perseguição” contra partido

Para PT, busca na casa de Wagner reflete “perseguição” contra partido

Ex-governador da Bahia é o nome mais cotado, até agora, para ser candidato do PT ao Palácio do Planalto, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa

Vera Rosa/BRASÍLIA

26 Fevereiro 2018 | 12h42

Gleisi Hoffmann. Foto: Wilton Junior/Estadão

A cúpula do PT classificou as buscas da Polícia Federal na casa do ex-governador da Bahia Jaques Wagner, em Salvador, como “mais um episódio da campanha de perseguição” contra o partido e acusou abuso de autoridade de “setores” do Judiciário. Wagner é o nome mais cotado, até agora, para ser candidato do PT ao Palácio do Planalto, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa.

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“A escalada do arbítrio está diretamente relacionada ao crescimento da pré-candidatura do ex-presidente Lula nas pesquisas, nas manifestações populares, nas caravanas de Lula pelo Brasil”, escreveu a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman (PR), em nota divulgada nesta segunda-feira, 26. “Quanto mais Lula avança, mais tentam nos atingir com mentiras e operações midiáticas.”

No texto, Gleisi afirma, ainda, que “a sociedade brasileira está cada vez mais consciente de que setores do sistema judicial abusam da autoridade para tentar criminalizar o PT e até os advogados que defendem nossas lideranças e denunciam a politização do Judiciário”.

Alvo da Lava Jato, Lula foi condenado em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), a 12 anos e um mês de prisão, acusado dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá (SP). Os advogados do petista recorreram da sentença e dirigentes do partido afirmam que a candidatura será registrada em 15 de agosto, mesmo se ele estiver preso. Trata-se, na prática, de uma estratégia política da defesa. Até hoje, Lula lidera todas as pesquisas de intenção de voto.

Atualmente no cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Wagner sempre apareceu como o mais cotado para substituir Lula, em caso de necessidade. O outro nome citado é o do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, coordenador do programa de governo de Lula.

Haddad tem feito articulações para que o PT se aproxime de partidos de centro-esquerda, na tentativa de formar uma aliança. O movimento foi avalizado por Lula, conforme mostrou o Estado na semana passada. O ex-prefeito jantou recentemente com o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência, e conversou sobre o assunto. Dirigentes do PT, porém, reclamaram de que a iniciativa reforçou as especulações sobre um Plano B para o lugar de Lula.

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“A gente ainda não teve acesso integral ao inquérito. Do que a gente tem conhecimento, é que esses valores são valores feitos de modo aleatório, há uma fragilidade na elaboração dessas contas. São factoides, são inverdades. Ele está muito tranquilo com relação a isso, porque jamais houve essa situação. Está absolutamente tranquilo em relação a isso.”