Os contatos de ‘Carainho’ com a mulher do doleiro Funaro

Os contatos de ‘Carainho’ com a mulher do doleiro Funaro

Ao decretar a prisão preventiva de Geddel Vieira Lima, juiz federal destaca contatos do aliado de Temer - preso nesta segunda-feira, 3 -, com Raquel Funaro

Julia Affonso, Fábio Serapião e Luiz Vassallo

03 Julho 2017 | 18h49

ainho

Ao decretar a prisão preventiva de Geddel Vieira Lima, um dos mais próximos aliados do presidente Michel Temer, o juiz Vallisney Souza, da 10.ª Vara Federal de Brasília, disse que ‘é gravíssimo’ o recente fato de o ex-ministro peemedebista ter entrado, ‘por diversas vezes, em contato telefônico’ com a mulher do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, Raquel Funaro.

Documento

Preso desde julho de 2016 na Operação Sépsis, em Brasília, Funaro quer fazer delação premiada. O temor de Geddel, na avaliação dos investigadores, é que o doleiro – ligado ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso na Operação Lava Jato desde outubro de 2016 – com suas revelações atinja a cúpula do governo.


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O juiz acentuou que, ao procurar a mulher de Funaro, Geddel agiu com ‘o intuito de verificar o ânimo do marido preso em firmar acordo de colaboração premiada’.

Segundo Vallisney, o próprio doleiro revelou ‘estranheza, já que Geddel não costumava ligar para ela, o que pode caracterizar um exercício de pressão sobre Lúcio Funaro e sua família’.

O próprio Funaro entregou à Polícia Federal reproduções de diálogos entre sua mulher, Raquel Funaro, e o ex-ministro do Governo Temer. As correspondências pelo aplicativo WhatsApp foram registradas em oito datas entre 17 de maio e 1 de junho deste ano – neste período a Operação Patmos, que pega o presidente, já estava em curso.

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Na avaliação dos investigadores, os contatos reforçam suspeita de que Geddel estaria preocupado com uma possível delação premiada de Funaro. Por isso, procurou Raquel.

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Funaro está preso na Papuda, em Brasília, desde 1 de julho de 2016, quando foi alvo da Operação Sépsis. Por meio de seu advogado, Bruno Espiñeira, o aliado de Eduardo Cunha fez chegar à PF ‘impressos de ligações’ recebidas por Raquel via WhatsApp. As ligações foram feitas por um certo ‘Carainho’, que, segundo os investigadores, é Geddel

O juiz federal transcreveu trecho de depoimento de Funaro.

“Que estranha alguns telefonemas que sua esposa tem recebido de Geddel Vieira Lima, no sentido de estar sondando qual seria o ânimo do declarante em relação a fazer um acordo de colaboração premiada; Que também chamou a atenção do declarante o monitoramento feito do seu estado de ânimo dos escritórios de advocacia ….”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO GAMIL FÖPPEL, QUE DEFENDE GEDDEL

A defesa técnica do Senhor Geddel Vieira Lima vem registrar sua incompreensão em relação ao absolutamente desnecessário decreto de prisão preventiva. Decerto, diante da ausência de relevantes informações para sua decisão, inexplicavelmente não relatadas na representação policial, a autoridade judiciária infelizmente laborou em erro. Dessa forma, acabou por não considerar que, desde o momento em que o Senhor Geddel Vieira Lima se viu injustamente enredado no bojo da “Operação Cui Bono”, colocou-se à disposição das autoridades constituídas, para apresentar os documentos que lhe fossem solicitados, assim como comparecer a todos os chamados que eventualmente lhe fossem formulados, inclusive abrindo mão dos seus sigilos bancário e fiscal, assim como do seu passaporte. Assim, em que pese tenha sucessivamente se disponibilizado a prestar depoimento, inacreditavelmente, até o presente momento, jamais foi intimado para tanto, revelando uma preocupação policialesca muito mais voltada às repercussões da investigação para grande imprensa, do que efetivamente a apuração de todos os fatos. Ademais, deixou de ser relatado que, mesmo no depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República, Joesley Batista foi enérgico em pontuar que jamais pagou propina (ou qualquer tipo de vantagem indevida) ao Senhor Geddel Vieira Lima. Enfim, diante da ausência de relevantes informações, acabou-se por não apreciar os substanciais elementos que comprovavam a inadmissibilidade da prisão preventiva no caso concreto. Sabedor da sua inocência e confiante na altivez do Poder Judiciário, o Senhor Geddel Vieira Lima segue inabalável na reparação do cerceamento às suas liberdades fundamentais, registrando que, estando custodiado, deposita sua integridade física nas mãos da autoridade policial.