Operador de Geddel se diz traído por verba de campanha que foi parar no bunker

Operador de Geddel se diz traído por verba de campanha que foi parar no bunker

Gustavo Pedreira Ferraz, cujas digitais foram encontradas nos R$ 51 milhões em apartamento em Salvador, confessou que buscou malas de dinheiro ao ex-ministro em São Paulo

Luiz Vassallo e Breno Pires

27 Dezembro 2017 | 11h00

O ex-chefe da Defesa Civil de Salvador Gustavo Pedreira Ferraz, homem de confiança de Geddel Vieira Lima e do PMDB na Bahia, se disse ‘traído’ ao descobrir que parte do dinheiro que foi buscar para candidatos peemedebistas baianos nas eleições de 2012 foi encontrada no bunker dos R$ 51 milhões. Ele resolveu colaborar com as investigações e assumiu ter buscado malas de dinheiro para Geddel em São Paulo em depoimento prestado à Polícia Federal no dia 8 de setembro.

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Gustavo desabafou à PF. Ele diz que o ministro ‘disse à época, que o dinheiro seria utilizado nas campanhas dos Prefeitos e vereadores do PMDB no Estado da Bahia’, no entanto, se sentiu traído ‘se sentiu traído por Geddel, por ele ter ficado com o dinheiro’.

Ferraz alega que o dinheiro ‘serviria pra ajudar a campanha de inúmeros candidatos do PMDB nas eleições de 2012 na Bahia’.

As digitais do diretor da Defesa Civil foram identificadas nos sacos plásticos que envolviam os R$ 51 milhões no apartamento emprestado pelo empresário Silvio Antônio Cabral Silveira. Digitais de Geddel também aparecem nas notas de dinheiro da maior apreensão da história da Polícia Federal brasileira. Até mesmo a fatura da empregada do deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, foi achada no apartamento, que fica a apenas 1,2 km da casa do ex-ministro e de sua mãe.

Ao pedir a prisão de Ferraz, a Procuradoria da República no Distrito Federal afirmou que o agente público seria o interposto de Geddel Vieira Lima que foi buscar propinas em um hotel em São Paulo junto ao operador de Eduardo Cunha, Altair Alves Pinto. Ele foi denunciado pela Procuradora-Geral da República Raquel Dodge.

Ferraz disse acreditar que ‘suas digitais foram identificadas no material encontrado durante a busca, uma vez que no ano de 2012, a pedido de Geddel Vieira Lima, transportou de São Paulo/SP para Salvador/BA dinheiro de contribuição
para campanhas do PMDB da Bahia’.

Segundo o operador, ele buscou uma mala de dinheiro junto a um interposto não identificado em um hotel em São Paulo e voltou para a capital baiana em um voo fretado. Um motorista do PMDB teria o buscado no aeroporto e o levado à casa de Geddel, aonde os valores foram conferidos, segundo seu depoimento à PF.

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