1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Operação ‘A Origem’ remonta às primeiras etapas da Lava Jato

Redação

10 abril 2015 | 21:19

É a 11.ª fase da grande investigação que atacou a corrupção na Petrobrás e agora mira contratos milionários de publicidade da Caixa e do Ministério da Saúde envolvendo três ex-deputados federais

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

A 11.ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira, 10, foi denominada ‘A Origem’ em alusão às investigações sobre três ex-parlamentares – André Vargas (PT/PR), Pedro Corrêa (PP/PE) e Luiz Argôlo (SD/BA) -, cujo envolvimento com o esquema do doleiro Alberto Youssef foi descoberto nos primeiros movimentos da investigação. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Lava Jato, ordenou a prisão preventiva dos ex-parlamentares.

André Vargas foi preso nesta sexta-feira. Foto: AlbariI Rosa/AGP

André Vargas foi preso nesta sexta-feira. Foto: AlbariI Rosa/AGP

Youssef e André Vargas são amigos de Londrina, no interior do Paraná, onde nasceu a Lava Jato. Nos primórdios da investigação, mensagens trocadas por ambos por meio de um programa do Blackberry despontaram no monitoramento da Polícia Federal. Os interlocutores do doleiro eram LA (posteriormente identificado como Luiz Argolo) e André Vargas (também confirmado depois como sendo o deputado que acabaria expulso do PT).

O ex-deputado José Janene, réu do mensalão e criador do esquema Lava Jato para lavagem de dinheiro, era estabelecido em Londrina. Ele morreu em 2010, mas deixou toda a estrutura Lava Jato montada para Youssef, seu parceiro.

Deflagrada em março de 2014, a fase mais explosiva da Lava Jato apontava para quatro grupos de doleiros acusados de lavar cerca de R$ 10 bilhões. Com o decorrer das investigações, contudo, as autoridades descobriram que o esquema era muito mais amplo e envolvia desvio de dinheiro em obras da maior estatal brasileira, a Petrobrás, para abastecer o caixa de partidos políticos como PP, PMDB e PT, tendo contemplado também PSB e PSDB.

Tão logo a PF descobriu que alguns personagens interceptados detinham foro privilegiado perante o Supremo Tribunal Federal ­- caso de Luiz Argôlo e André Vargas, então no exercício do mandato de deputado -, o juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato, enviou para a Corte máxima todos os dados reunidos até ali.

Com a cassação de André Vargas e a não reeleição de Argôlo ambos perderam a prerrogativa especial. O Supremo, então, devolveu às origens os autos relativos aos ex-parlamentares, ou seja, a Justiça Federal no Paraná. A PF ficou livre, então, para descobrir as estreitas ligações dos ex-deputados com o doleiro Youssef, peça central da Lava Jato.

Descobriu-se, por exemplo, que Argôlo esteve 78 vezes em dois escritórios do doleiro, entre 2011 e 2014 e que usou, ainda, a própria mãe como laranja em contratos de compra de máquinas para lavar dinheiro ilícito amealhado por Youssef. Descobriu-se repasses regulares e frequentes de valores do doleiro para Pedro Correa. Descobriu-se como André Vargas ajudou o doleiro a se infiltrar em órgãos públicos.

Nas últimas semanas, a PF preparou meticulosamente a 11.ª etapa da Lava Jato, a Operação ‘A Origem’, desencadeada nesta sexta feira, 10.

_______________________________________

VEJA TAMBÉM:

Justiça bloqueia R$ 40 milhões de Pedro Corrêa e Luiz Argôlo

Lava Jato investiga entrega de R$ 2,3 mi de doleiro para André Vargas

Pedro Corrêa usou nora e funcionário rural para receber propina, diz PF

André Vargas lavou dinheiro na compra da própria casa, diz Lava Jato

Força-tarefa mira elo de pagamento a Dirceu com obra da Petrobrás

Corrêa recebeu propina na Petrobrás quando era julgado no mensalão, afirma juiz

PF investiga repasse de R$ 1,2 mi e sociedade de doleiro com Argôlo

_______________________________________