Nuzman encomendou dossiê sobre opositor a ex-secretário da Saúde de Cabral

Nuzman encomendou dossiê sobre opositor a ex-secretário da Saúde de Cabral

Ministério Público Federal afirma que alvo do presidente do Comitê Olímpico do Brasil, preso nesta quinta-feira, 5, na Operação Unfair Play, era o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), Alaor Pinto Azevedo

Julia Affonso

05 Outubro 2017 | 12h11

Foto: Reprodução/Ministério Público Federal

O Ministério Público Federal, do Rio, afirma que o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman, encomendou um dossiê sobre um opositor ao ex-secretário Sérgio Côrtes, que geria a área da Saúde do governo Sérgio Cabral (PMDB). O alvo de Nuzman, preso nesta quinta-feira, 5, pela Operação Unfair Play, era o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), Alaor Pinto Azevedo.

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O presidente do COB foi levado pela Polícia Federal pela segunda fase da Unfair Play, desdobramento da Lava Jato que investiga a compra do Rio de Janeiro como cidade olímpica. Côrtes foi capturado em abril, no âmbito da Operação Fratura Exposta, investigação sobre desvios na área hospitalar.

Foto: Reprodução/Ministério Público Federal

Foto: Reprodução/Ministério Público Federal

No pedido de prisão de Nuzman, a força-tarefa da Lava Jato relatou que o dossiê foi encontrado durante as buscas na casa do presidente do COB. O documento, segundo o Ministério Público Federal, havia sido encomendado ‘a outro membro da organização criminosa, já denunciado Sérgio Côrtes’.

“Conforme verifica-se, Sérgio Côrtes realizou levantamentos sobre a vida pregressa de Alaor Pinto Azevedo (opositor de Nuzman). Tudo a demonstrar que os membros da organização criminosa ajudam-se mutuamente para manutenção do status quo”, narrou a Procuradoria da República.

Na capa do dossiê apreendido pela Unfair Play, a Lava Jato encontrou uma folha com o emblema da Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Governo do Rio e com um bilhete. “Presidente, o cara está “limpo”. Viramos do lado do avesso. Um forte abraço, Sérgio.”

O documento tem a tarja ‘confidencial’, em vermelho, no alto de uma de suas páginas. Há duas fotos, dados de Alaor e suas impressões digitais.

A Lava Jato achou ainda outro bilhete em papel amarelo. “Amigo, outros levantamentos estão sendo feitos. Abs, Sérgio.”

Em outubro de 2016, Nuzman foi reeleito para a presidência do Comitê. Foi a sexta vez consecutiva que ele chegou ao cargo que assumiu em 1995.

Candidato único, ele foi reconduzido para um mandato até 2020 com 24 votos entre 29 possíveis – quatro confederações e a comissão de atletas do COB não enviaram representantes. Na votação, houve três abstenções, um voto contra e um nulo, já que o envelope onde deveria estar a cédula estava vazio.

Naquele ano, Alaor Azevedo foi à Justiça questionando o prazo exigido pelo COB – 30 de abril – para o registro de candidaturas numa eleição que ocorreria só no último trimestre. O presidente da Confederação de Tênis de Mesa chegou a ter liminares deferidas, mas em seguida negadas.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO NELIO MACHADO, QUE DEFENDE CARLOS ARTHUR NUZMAN

Segundo o advogado Nélio Machado, do escritório Nélio Machado Advogados, que defende o presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) ‘há um habeas corpus já impetrado que não foi julgado lamentavelmente’. O defensor afirmou que irá se inteirar dos fatos e fará um pronunciamento em seguida.

“Vou ver quais são os fundamentos dessa medida dura e que não é usual, pelo menos dentro dos padrões do devido processo legal”.