Mudanças no Facebook podem afetar eleição e favorecer fake news, dizem especialistas

Mudanças no Facebook podem afetar eleição e favorecer fake news, dizem especialistas

Alteração tem como objetivo privilegiar conteúdo de interação pessoal

Julia Affonso e Luiz Vassallo

12 Fevereiro 2018 | 05h01

Foto: Filipe Araújo/Estadão

Especialistas avaliam que a alteração feita pelo Facebook no algoritmo da rede social pode favorecer à disseminação de notícias falsas (as chamadas “fake news”). A mudança tem como objetivo privilegiar conteúdo de interação pessoal, em vez daquele produzido por empresas de notícias.

Fato de notícia ser danosa não significa que tem que ter veiculação impedida, diz Gilmar

Facebook pede a usuários para ‘votarem’ em sites de notícias que confiam

O coordenador do curso de ciência de dados da Future Law/ IDP-São Paulo, Alexandre Zavaglia Coelho, afirma que, além das fake News, a alteração pode contribuir para ‘a criação de bolhas de pensamento, até a diminuição de canais de notícias, tão importantes para a diversidade de pensamento e para a democracia’.

“Considerando que boa parte da população já consome notícias pelas redes sociais, programar os algoritmos para privilegiar conteúdo de outros usuários e diminuir a propagação de conteúdo gerado pelo jornalismo profissional pode causar distorções com graves consequências sociais”, destaca Alexandre Zavaglia Coelho.

A advogada especializada em direito eleitoral, Karina Kufa, indica que o momento foi inoportuno para o teste da rede social.

“Uma mudança no algoritmo da rede, além de impactar na publicação de fanpages, gera uma grande preocupação para as próximas eleições, já que fake news produzidas e compartilhadas pelos “amigos” terão maior alcance do que as notícias do jornalismo, trazendo uma enorme insegurança à lisura eleitoral”, afirma.

A advogada aponta que ‘o trabalho da justiça eleitoral para minimizar os efeitos das fakenews será agora muito maior’.

“E quem perde com isso?”, pergunta Kufa. “Os eleitores e a sociedade, que poderão ser influenciados negativamente e podem depositar seu voto em candidatos menos qualificados por ter obtido uma informação falsa nas redes sociais.”

Na terça-feira, 6, ao tomar posse como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luiz Fux, destacou a ofensiva da Corte Eleitoral no combate às fakes news, tendo a imprensa como aliada.

Fuz criticou a disseminação de notícias falsas e afirmou que uma ‘uma campanha limpa se faz com a divulgação das virtudes de um candidato, e não com a difusão de atributos negativos pessoais que atingem irresponsavelmente uma candidatura’.

“Apesar disso (do combate às fake news), não se pretende tolher a liberdade de expressão e de informação legítima do leitor. A liberdade de expressão é pressuposto para qualquer regime que se intitule verdadeiramente democrático”, declarou na ocasião.

COM A PALAVRA, AO FACEBOOK

“Estamos comprometidos em apoiar a construção de uma comunidade informada. Anunciamos no começo deste ano atualizações para priorizar no Feed de Notícias posts que geram conversas e interações significativas, e também notícias de qualidade, algo que nossa comunidade vinha nos pedindo. É importante lembrar que são muitos os sinais para determinar o que as pessoas veem no Feed de Notícias. Temos trabalhado continuamente para reduzir o alcance de posts desinformativos e notícias falsas, e ajudar as pessoas no consumo consciente de informações, dentro e fora do Facebook. Um exemplo são os Artigos Relacionados, um recurso que oferece perspectivas adicionais quando uma pessoa compartilha uma notícia no Facebook.”

Materiais extras:

Links:

Iniciativas contra desinformação:

Por uma comunidade mais informada

Sabemos que as pessoas querem ver informações corretas no Facebook, e nós também. Boatos, notícias falsas são ruins para nossa comunidade e tornam o mundo menos informado. Trata-se de um tema complexo, e todos – empresas de tecnologia, mídia, academia, governos e organizações não-governamentais – temos a responsabilidade de buscar soluções para o tema. No Facebook, temos trabalhado em três áreas-chave:

Eliminar os incentivos econômicos, já que a maioria das notícias falsas são disseminadas por motivação financeira;

Desenvolver novos produtos para reduzir a propagação de notícias falsas, aumentar a diversidade de informações; e
Ajudar as pessoas a tomar decisões conscientes quando se deparam com notícias falsas.

Veja as principais ações que anunciamos desde 2017 como parte de nossos esforços para construir uma comunidade mais informada.

11 de janeiro de 2017 – Apresentamos o Projeto Facebook para Jornalismo, um programa para estreitar os laços entre o Facebook e organizações de mídia. Desde o seu lançamento, nos encontramos com milhares de veículos de mídia em todo o mundo, fizemos uma série de News Days para publishers (eventos de treinamento do Facebook), um deles no Brasil, e participamos de mais de muitos eventos da indústria de mídia. Também expandimos nossos cursos online para jornalistas para 10 idiomas, incluindo o Português, e disponibilizamos o CrowdTangle, nossa ferramenta de dados e insights, gratuitamente para veículos e faculdades de jornalismo.

1 de fevereiro de 2017 – Adicionamos sinais aos nossos sistemas para determinar se um post é mesmo autêntico, para identificar se Páginas estão postando conteúdos spam ou até mesmo pedindo curtidas, comentários ou compartilhamentos.

3 de abril de 2017 – Anunciamos nossa participação na News Integrity Initiative, um consórcio formado por uma série de empresas de tecnologia, universidades e ONGs para fazer pesquisas e propor projetos na área de “news literacy”.

6 de abril de 2017 – Trabalhamos com a First Draft para desenvolver dicas sobre como identificar notícias falsas. Essas dicas apareceram no topo do Feed de Notícias das pessoas no Facebook durante alguns dias. No Brasil, trabalhamos com apoio da Abraji, do ITS Rio e do Mackenzie nessa iniciativa.

13 de abril de 2017 – Aperfeiçoamos nossos sistemas para identificar e remover contas falsas, que muitas vezes são usadas para distribuição de notícias falsas, a partir de padrões de comportamento como posts repetitivos ou fluxos de mensagens.

25 de abril de 2017 – Anunciamos testes com ”Artigos Relacionados”, um recurso para oferecer perspectivas adicionais antes da leitura de uma notícia compartilhada no Feed de Notícias.

10 de maio de 2017 – Revisamos centenas de milhares de sites vinculados a Páginas no Facebook para identificar aqueles que continham pouco conteúdo e um grande número de anúncios mal-intencionados. Quando determinamos que uma postagem remete a um site de baixa qualidade, ela tem sua distribuição comprometida e aparece menos no Feed de Notícias das pessoas.

17 de maio de 2017 – Anunciamos novas atualizações do Feed de Notícias para diminuir a exposição de manchetes “caça-cliques”.

30 de junho de 2017 – Anunciamos atualizações no Feed de Notícias para reduzir a influência de pessoas que rotineiramente compartilham grandes quantidades de postagens públicas por dia, efetivamente enviando spam para a comunidade.

18 de julho de 2017 – Eliminamos a possibilidade de as pessoas customizarem títulos, descrições e imagens de links que compartilham no Facebook, já que o conteúdo poderia ser alterado para gerar desinformação. Apenas Páginas de veículos de mídia podem agora substituir metadados do link.

17 de agosto de 2017 – Anunciamos atualizações para limitar a propagação de histórias no Feed de Notícias que apresentem botões falsos de reprodução de vídeo em suas imagens ou vídeos com apenas uma imagem estática. Spammers costumam usar botões de reprodução falsos para enganar pessoas e levá-las a clicar em links de sites de baixa qualidade.

22 de agosto de 2017 – Começamos a inserir logotipos dos veículos de mídia ao lado de artigos em destaque nas seções Trending e Pesquisa no Facebook, para que as pessoas identifiquem melhor as fontes de distribuição de notícias em nossa plataforma.

5 de outubro de 2017 – Começamos a testar a inclusão de um botão nos links para reportagens no Feed de Notícias que, ao ser clicado, fornece mais contexto às pessoas, como informações do publisher na Wikipedia, a exibição de artigos relacionados e indicação de como aquele conteúdo está sendo compartilhado pelas pessoas no Facebook. Se um publisher não tiver referências, as pessoas também saberão disso.

16 de novembro – Começamos a adotar indicadores do Trust Project para notícias que são compartilhadas no Facebook. O Trust Project é um consórcio internacional de empresas de notícias e digitais colaborando para criar padrões de transparência no jornalismo, com o objetivo de construir um ambiente confiável e de reconhecimento do jornalismo de qualidade.

15 de dezembro de 2017 – Dar às pessoas mais controle é um valor central do Feed de Notícias. Na segunda metade de dezembro, lançamos a função “Soneca”, que dá às pessoas a opção de parar de seguir temporariamente, por 30 dias, uma pessoa, uma Página ou um Grupo. A opção “Soneca” está disponível no menu no canto superior direito de cada post.

4 de janeiro de 2017 – Anunciamos o apoio a dois projetos de news literacy no Brasil para ajudar as pessoas no consumo de informações na era digital, um curso online gratuito contra notícias falsas e um bot no Messenger que orientará as pessoas sobre como trafegar no universo de informações na internet, para que elas próprias possam checar informações.

Mais conteúdo sobre:

FacebookEleição 2018