Moro ordena nova perícia sobre sistemas de propina da Odebrecht, agora na ação do sítio de Atibaia

Moro ordena nova perícia sobre sistemas de propina da Odebrecht, agora na ação do sítio de Atibaia

Juiz da Lava Jato determinou que análise seja 'finalizada no prazo máximo de trinta dias, contados do encaminhamento dos quesitos e da decisão à Polícia Federal'

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

24 Fevereiro 2018 | 10h32

Sítio Santa Bárbara. Foto: Márcio Fernandes/Estadão

O juiz federal Sérgio Moro determinou nesta sexta-feira, 23, que a Polícia Federal faça mais uma perícia sobre os sistemas de propina da Odebrecht. Desta vez, o magistrado ordenou que a PF faça uma varredura para ‘identificar e extrair eventuais lançamentos e documentos’ que tenham relação com as reformas do sítio de Atibaia (SP). Neste processo, o ex-presidente Lula é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Documento

“Determino a realização de perícia nos sistemas de contabilidade informal do Grupo Odebrecht, já na posse da Polícia Federal, a fim de identificar e extrair eventuais lançamentos e documentos que digam respeito ao objeto da presente acusação (reforma do Sítio em Atibaia pelo Grupo Odebrecht)”, decidiu o juiz.

“A perícia deverá ser finalizada no prazo máximo de trinta dias, contados do encaminhamento dos quesitos e da decisão à Polícia Federal.”

+ Perícia encontra ‘evidências de destruição de dados’ em sistemas da Odebrecht

+ Pagamento da Odebrecht ‘é compatível’ com repasse a Glaucos e a compadre de Lula, diz perícia

Lula já foi condenado na Operação Lava Jato. Em janeiro, o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) aumentou a pena do petista para 12 anos e um mês de prisão, em regime fechado, por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso triplex.

O magistrado concedeu cinco dias para os réus apresentarem quesitos que deverão ser respondidos no laudo e para a indicação de assistente técnico. Na decisão, Sérgio Moro formulou três questionamentos para a perícia.

“Solicita-se que seja verificado se o sistema de contabilidade informal do Grupo Odebrecht, na posse dos peritos da Polícia Federal, contém documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal, reforma do Sítio em Atibaia pelo Grupo Odebrecht em benefício do acusado Luiz Inácio Lula da Silva”, anotou o juiz da Lava Jato.

“Se positivo devem ser discriminados os encontrados e as características dos arquivos respectivos, bem como quanto a sua autenticidade e integridade.”

Sérgio Moro quer saber ainda. “Solicita-se que seja verificado se os documentos já juntados aos autos, encontram-se no sistema e se positivo devem ser informadas as características dos arquivos respectivos, bem como quanto a sua autenticidade e integridade.”

Esta é a segunda perícia ordenada pelo juiz da Lava Jato sobre os sistemas de propina da Odebrecht. Na sexta, a Polícia Federal entregou laudo em ação penal sobre supostas propinas da empreiteira para o ex-presidente.

Foram verificados 11 discos rígidos e dois pendrives. Ao juiz Moro, a PF afirmou que ‘foram identificados 842 arquivos, de um total de 1.912.667 arquivos, correspondendo a 0,043%, que apresentam não conformidades’. A perícia achou 607 divergências nos discos 1 e 4, um total de 230 nos discos 5 a 9 e outras cinco nos discos 10, 11 e no pendrive 01.

A perícia identificou os pagamentos da empreiteira, no Brasil e no exterior, para a compra do terreno do Instituto Lula. Os documentos comprovam as declarações do empresário Marcelo Odebrecht que, em delação premiada, afirmou ter combinado com o presidente do Instituto Paulo Okamotto e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a compra do terreno.

O juiz Sergio Moro deu prazo de 15 dias para a defesa de Lula e para o MPF analisarem os arquivos periciados.