Lava Jato 50

Lava Jato 50

Leia a decisão do juiz Sérgio Moro abrindo nova etapa da operação, a Sothis II, que mira contratos e propinas de R$ 2,3 milhões no âmbito da Transpetro

Ricardo Brandt e Julia Affonso

23 Março 2018 | 15h57

Sergio Moro. Foto: EFE/Sáshenka Gutiérrez

A Operação Sothis II, fase 50 da Lava Jato deflagrada nesta sexta-feira, 23, cumpriu três mandados de buscas e apreensão em São Paulo e na Bahia. A nova ofensiva da força-tarefa tem origem na delação premiada de executivos da NM Engenharia, que relataram propinas de R$ 2,3 milhões ao ex-gerente da Transpetro – subsidiária da Petrobrás – José Antônio de Jesus, alvo da 47.ª etapa da Lava Jato.

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Segundo a decisão do juiz Sérgio Moro, ‘quebras de sigilo fiscal e bancário autorizadas por este Juízo e referenciadas na decisão em tela permitiram constatar a transferência de valores da JRA Transportes para Vanessa Fonseca de Jesus e Ana Vilma Fonseca de Jesus, filha e esposa de José Antônio de Jesus’.

A investigação foi reforçada, ainda, pela quebra de sigilo telemático que ‘permitiu identificar que José Antônio de Jesus era o verdadeiro gestor da empresa JRA Transportes’.

“Há indícios de que empresa Sirius Transportes e Logísticas Ltda, com sede no mesmo endereço da JRA Transportes, era igualmente administrada por José Antônio de Jesus, e tem por sócias as suas já citadas filha e esposa”, assinalou o juiz da Lava Jato.

José Roberto Soares Vieira, sócio da JRA, declarou à Polícia Federal que ‘as empresas Meta Manutenção e Ionice ME realizaram depósitos na conta da JRA Transportes, sem que tenha havido contraprestação de serviços, e que os depósitos da Meta Manutenção ocorreram entre 2010 e 2013, eram mensais, e em valores ainda mais expressivos do que os realizados pela NM Engenharia’.

A partir da quebra de sigilo bancário, a Procuradoria constatou que a Meta Manutenção e Instalações Industriais, empresa constituída no interior do Estado de São Paulo, ‘com número considerável de funcionários, e dedicada à construção de obras de engenharia civil, efetuou de fato transferências bancárias, em favor da JRA Transportes, no montante de R$ 2.325 milhões, no período de 1 de setembro de 2009 a 6 de junho de 2011’.

“Após o recebimentos desses valores, houve saques em espécie, transferências para terceiros e aplicações financeiras da conta da JRA.