Joesley diz que Mantega pressionou por empréstimo do BNDES à JBS

Joesley diz que Mantega pressionou por empréstimo do BNDES à JBS

Ouvido na quarta-feira, 21, pela Polícia Federal, empresário relatou que liberação de valores estava relacionada à aquisição da Swift Argentina em 2005

Fábio Serapião e Julia Affonso

23 Junho 2017 | 13h00

Joesley Batista (de boné). Foto: Dida Sampaio/Estadão

O empresário Joesley Batista afirmou em depoimento à Polícia Federal na quarta-feira, 21, que o ex-ministro Guido Mantega (Planejamento/ Fazenda/Governos Lula e Dilma) pressionou para que a JBS conseguisse um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Joesley, delator da Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato, relatou que o empréstimo estava ligado à aquisição da Swift Argentina em 2005.

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Naquele ano, Guido Mantega era presidente do BNDES durante o governo Lula.


Joesley disse não se recordar quem eram os técnicos do Banco responsáveis por analisar o negócio. “Afirma que não sabe de que forma Guido exerceu influência sobre os técnicos, mas esclarece que se não fosse a pressão e acompanhamento de Guido Mantega, o empréstimo não teria saído.”

Guido Mantega. Foto: Evaristo Sá/AFP

O empresário foi ouvido na investigação da Operação Bullish, que apura irregularidades em empréstimos de R$ 8,1 bilhões do BNDES para a JBS.

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Joesley contou que, em 2005, ‘contratou’ o empresário Victor Sandri, por R$ 50 mil mensais, para intermediar interesses da JBS no meio político. Segundo o empresário-delator, Victor Sandri conseguiu uma reunião com o então presidente do BNDES Guido Mantega para tratar do projeto de internacionalização da JBS.

“O projeto foi apresentado formalmente ao BNDES e gestado pela própria área técnica da empresa”, relatou Joesley. “O depoente esclarece que nunca se valeu de intermediação de assessoria, escritório de advocacia ou consultoria externa para projetos junto ao BNDES.”

O empresário narrou que ‘as negociações com a Swift Argentina foram avançando, enquanto as taxas e outras condições com a área técnica do BNDES ainda estavam sendo discutidas’

“Quando o negócio com a Swift Argentina foi fechado, o depoente pediu a Guido Mantega para acelerar o empréstimo e afirma que as condições de juros e prazos foram difíceis”, contou.

A PF questionou Joesley sobre o motivo de não ter procurado instituições privadas para essa negociação, uma vez que taxas e prazos não seriam ‘atrativos’. O empresário afirmou ‘que não havia mais tempo para captar recursos’.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FABIO TOFIC, QUE DEFENDE GUIDO MANTEGA

O advogado Fabio Tofic informou que a defesa vai acessar a íntegra do depoimento e depois vai se manifestar.