‘Inócua era a suposta política de recuperação de dependentes químicos’, reage governo Doria

‘Inócua era a suposta política de recuperação de dependentes químicos’, reage governo Doria

Prefeitura de São Paulo afirma que modelo de gestão anterior do programa 'Braços Abertos' se revelou 'totalmente inadequado'

Luiz Fernando Teixeira e Luiz Vassallo

04 Abril 2018 | 16h24

Foto: Rafael Arbex/ Estadão

A Prefeitura de São Paulo respondeu nesta quarta-feira, 4, em nota, o teor da decisão do juiz Randolfo Ferraz de Campos, da 14.ª Vara de Fazenda Pública, que determinou a reabertura dos ‘hoteis sociais’ do programa Braços Abertos, na região da Luz. O magistrado escreveu que o banimento das estruturas torna a política pública ‘comprometida e até mesmo inócua’.

De forma enfática, a gestão João Doria reagiu. “Inócua era a suposta política de recuperação de dependentes químicos do chamado programa De Braços Abertos. Diante das falhas graves de segurança e higiene dos hotéis e do fracasso da política de concessão de bolsas mediante realização de pequenas tarefas de zeladoria, o modelo da gestão anterior se mostrou totalmente inadequado para a efetiva recuperação dos dependentes químicos, que nunca deixaram de frequentar o fluxo”, aponta a Prefeitura na nota.

De acordo com o pedido da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, os beneficiários voltaram para o ‘fluxo’ das drogas porque ‘o atendimento alternativo ao hotel social, fornecido pela Prefeitura de São Paulo, além de insuficiente, pelo déficit de vagas, é pior do que aquele fornecido no âmbito do hotel social e não possui finalidade específica para a reabilitação psicossocial’.

A prefeitura assinala que apenas 37 dos quase 300 beneficiários do programa trabalhavam de fato e que o ‘Braços Abertos’ não recuperou nenhum dos participantes.

Além disso, segue o governo Doria, o fluxo dobrou de tamanho entre 2016 e 2017, de acordo com pesquisa patrocinada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e houve aumento de quarteirões na região da Luz com tráfico de drogas.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA PREFEITURA DE SÃO PAULO
“A Prefeitura esclarece que inócua era a suposta política de recuperação de dependentes químicos do chamado programa Braços Abertos. Diante das falhas graves de segurança e higiene dos hotéis e do fracasso da política de concessão de bolsas mediante realização de pequenas tarefas de zeladoria, o modelo da gestão anterior se mostrou totalmente inadequado para a efetiva recuperação dos dependentes químicos, que nunca deixaram de frequentar o fluxo. De quase 300 beneficiários do programa, apenas 37 trabalhavam de fato, comparecendo aos locais das tarefas em ao menos 75% dos dias. Além disso, o que se constatou, na prática, foi que a região da Luz teve quatro quarteirões tomados inteiramente pelo tráfico, que também se fazia presente nos hotéis. Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, houve crescimento do número de consumidores de drogas na região, conforme comprovado por pesquisa patrocinada pelo PNUD. O chamado fluxo dobrou de tamanho: de cerca de 900 pessoas para mais 1800.”

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