Glaucos pede a Moro que intime hospital a apresentar registros de visitas de contador

Glaucos pede a Moro que intime hospital a apresentar registros de visitas de contador

Empresário apontado como 'laranja' do ex-presidente Lula na compra de apartamento em São Bernardo do Campo afirma, em petição ao juiz da Lava Jato que recebeu efetivamente o primeiro aluguel do imóvel apenas em novembro de 2015

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

29 Setembro 2017 | 05h39

A defesa de Glaucos da Costamarques pediu ao juiz federal Sérgio Moro que intime o hospital Sírio Libanês para que entregue registros de visitas do advogado do ex-presidente Lula, Roberto Teixeira, e do contador João Muniz Leite. Primo de José Carlos Bumlai, amigo de Lula, Glaucos é apontado como ‘laranja’ do petista no suposto recebimento de imóveis pela Odebrecht como forma de propinas.

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Para a força-tarefa da Lava Jato, a Odebrecht custeou a compra do apartamento, em nome de Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. Na mesma ação, ele responde por também ter supostamente recebido da empreiteira terreno onde seria sediado o Instituto Lula, no valor de R$ 12,5 milhões.

A denúncia da Procuradoria da República sobre o apartamento 121, no edifício Hill House -vizinho à residência de Lula, em São Bernardo do Campo – ainda aponta que propinas pagas pela Odebrecht, no esquema que seria liderado pelo ex-presidente, chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a Petrobrás.

A Lava Jato afirma que não houve pagamento de aluguel entre fevereiro de 2011 e pelo menos novembro de 2015. Nesta segunda-feira, 25, a defesa do ex-presidente apresentou documentos que contestam a versão dos procuradores.

Em petição ao juiz federal Sérgio Moro, a defesa de Glaucos reiterou o que ele já havia dito em seu interrogatório no último dia 6. Ele disse ter sido procurado por José Carlos Bumlai ‘no sentido de adquirir um imóvel em um edifício em São Bernardo do Campo – SP, em seu nome, uma vez que não contava com recursos necessários para fazê-lo pessoalmente’. “Como razão primordial, informou a GLAUCOS que precisava atender a um pedido da Sra. Marisa Letícia Lula da Silva, preocupada com o fato de alguém poder interessar-se pelo imóvel, que era localizado no mesmo andar, e em frente, ao apartamento que servia de residência ao ex-presidente e sua esposa, cuja privacidade poderia ser comprometida”

“Esclareceu, ainda, que Glaucos deveria procurar ao Dr. Roberto Teixeira, que trataria da documentação necessária relativamente à aquisição do imóvel e do contrato de locação”, diz a defesa.

A defesa de Glaucos ainda diz que ‘o primeiro aluguel efetivamente recebido, ocorreu em novembro de 2015; tendo, após, recebido todos os alugueres até atualmente, excetuando-se, ao que se recorda, o aluguel referente a fevereiro de 2017, possivelmente em razão do falecimento da Sra. Marisa Letícia Lula da Silva’.

“O pagamento de alugueres, esclareça-se, só começou a ocorrer após visita do Dr. Roberto Teixeira ao defendente, quando este estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde Glaucosse submeteria a intervenção cardiovascular. Foi nesta visita que o referido advogado informou-o de que os alugueres passariam a ser pagos regularmente”, sustentam os advogados.

A defesa de Glaucos volta a reiterar que, no dia seguinte à visita de Roberto Teixeira, ele recebeu a visita do ‘contador João M. Leite, que foi colher as assinaturas nos recibos, referentes ao ano de 2015’.

COM A PALAVRA, LULA

O advogado Cristiano Zanin Martins, defensor de Lula, declarou. “A responsabilidade sobre os documentos, e sobre a veracidade do que eles atestam, é da pessoa que os assinou. Não há questionamento sobre as assinaturas. A tentativa de transformar os recibos no foco principal da ação é uma clara demonstração de que nem o Ministério Público nem o juízo encontraram qualquer materialidade para sustentar as descabidas acusações formuladas contra Lula em relação aos contratos da Petrobrás.”