‘Garotinho, o ‘Líder’, entrou na sala muito irritado e disse que precisava de 5 milhões’

‘Garotinho, o ‘Líder’, entrou na sala muito irritado e disse que precisava de 5 milhões’

Delator da Operação Caixa D'Água relatou aos investigadores métodos supostamente adotados pelo ex-govenador do Rio, preso nesta quarta-feira, 22, com a mulher, Rosinha

Julia Affonso e Luiz Vassallo

23 Novembro 2017 | 14h24

Foto: Reprodução de depoimento que consta em denúncia contra Garotinho.

O empresário André Luiz da Silva Rodrigues, delator da Operação Caixa D’Água, revelou aos investigadores como agia Anthony Garotinho (PR), ex-governador do Rio preso nesta quarta-feira, 23, com a mulher Rosinha, que também chefiou o Executivo fluminense. Em depoimento às promotoras eleitorais Maristela Naurath Rebello de Faria e Ludimila Bissonho Rodrigues, do Ministério Público do Estado, no dia 19 de julho, Rodrigues detalhou uma reunião no escritório de campanha de Garotinho, na Torre Rio Sul, realizada em setembro de 2014. Ele disse que foi ‘convocado’ para uma reunião com o ‘Líder’, segundo ele como Garotinho é chamado, por um telefonema de Dinalva, então secretária do ex-governador.

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“Que Garotinho entrou na sala muito irritado, ficou em pé na cabeceira da mesa e disse que seria breve e que precisava de 5 milhões de reais para a campanha e que era para cada um dos presentes dar 1 milhão de reais”, relatou André Ropdrigues.

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“Que o declarante não entendeu porque estava ali, já que tinha ido a Brasília por umas 4 vezes, quando Garotinho era deputado, para tentar receber seus créditos junto à prefeitura de Campos, entendendo que não tinha condições financeiras de fazer nenhuma doação.”

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O depoimento de Rodrigues é apontado como peça importante no conjunto de provas contra os ex-governadores.

Na ocasião, Rosinha Garotinho era prefeita de Campos dos Goytacazes, Norte do Rio. Garotinho era secretário municipal da gestão da mulher.

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“Os gestores municipais não tinham autonomia para realizar nenhum pagamento, sem autorização de Garotinho”, seguiu o empresário. “Toda vez que o declarante falava em pagamento com Garotinho, ele abria um programa em um tablete e conferia a movimentação financeira do município, que era atualizada diariamente. Ele sabia quem havia recebido algum valor, quem tinha nota a ser paga.”

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Segundo André Rodrigues, o então secretário de Controle do governo Rosinha, Suledíl Bernardino, costumava reter notas fiscais, antes de enviá-las à Secretaria de Fazenda, ‘tanto para ganhar tempo como para exigir que o empresário fosse implorar pelo pagamento, a fim de ficar devendo favores’.

O colaborador contou qume um outro empresário disse na reunião que ‘já tinha feito doação oficial e que estava com dificuldades, também pelos atrasos de pagamento da prefeitura de Campos’.

Segundo Rodrigues, outros empresários que estavam no escritório político de Garotinho também reclamaram. Um deles disse que ‘Ari’, de uma construtora, ‘mandou oferecer 500 mil reais para ajudar’.

“Garotinho falou que era ‘para mandar Ari enfiar os 500 mil no cú, que eu não quero essa porra desse dinheiro dele, porque ele está lá fazendo campanha para Pezão, gastando os tubos, gerando prejuízo pra mim'”, afirmou o delator.

Segundo ele, o secretário de Controle Suledíl Bernardino ‘costumava reter notas fiscais, antes de enviá-las à Secretaria de Fazenda, tanto para ganhar tempo como para exigir que o empresário fosse implorar pelo pagamento, a fim de ficar devendo favores’.

“Dali mesmo, Garotinho autorizava os pagamentos”, afirmou André Rodrigues. “Era comum, entre os servidores municipais, dizer que nada era pago sem ordem do chefe Garotinho. Suledíl, da Secretaria de Controle, sempre falava que todo mundo sabia quem deveria ordenar qualquer pagamento, referindo-se a Anthony Garotinho. Era comum receber ligações de gestores municipais e do próprio Garotinho para resolver problemas da Prefeitura, como conserto de ar condicionado para médicos em Farol de São Tomé, problemas em hospital, etc.”

O colaborador relatou às promotoras eleitorais que ‘quem se opunha a obedecer as ordens de Garotinho e seu grupo sofria retaliação, principalmente, com o atraso de pagamento de faturas’.

Sua empresa, entre os anos de 2012, 2013 e 2014, acumulou créditos com a Prefeitura de Campos, por serviços prestados e não recebidos, por isso ‘estranhou o fato de (Garotinho) ter pedido 5 milhões’.

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