Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Comparsa de Garotinho intimidava 'colaboradores' com armas, diz denúncia

Empresário delator disse que o ex-policial civil Antônio Carlos Ribeiro, o 'Toninho', o seguia e mostrava que estava armado para receber propinas

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 12h44

RIO - O empresário delator André Luiz da Silva Rodrigues informou ao Ministério Público Eleitoral que a suposta organização criminosa do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) usava armas para intimidar e viabilizar o esquema de dinheiro ilícito para campanha. O empresário disse que, durante seus trajetos de veículo após fazer saques em dinheiro, recebia ligações do operador de Garotinho, Antônio Carlos Ribeiro, de apelido Toninho, “o braço armado da organização criminosa”, dando conta de que estava sendo seguido.

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Toninho, que também teve mandado de prisão preventiva expedido nesta quarta-feira, 22, é ex-policial civil. Rodrigues também disse, em seu depoimento, que “Toninho fazia questão de mostrar que estava armado”. Para o juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da Justiça de Campos de Goytacazes, o suposto caso “demonstra de forma clara a imposição do líder da Organização Criminosa, ora réu Anthony Garotinho, através do réu Antônio Carlos Ribeiro da Silva, vulgo Toninho, e que era o braço armado da Organização Criminosa, para que o colaborador obedecesse suas ordens”.

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Segundo o juiz, o grupo exerceria um poder intimidativo contra empresários extorquidos e que mantinham contrato de prestação de serviços ou de realização de obras públicas com o município de Campos dos Goytacazes.

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Já os outros réus presos, Ney Flores Braga e Suledil Bernardino, tinham o papel de negociar com empresários o pagamento de suas contribuições ilícitas via “caixa 2”. Segundo a denúncia, os empresários eram obrigados a fazer a contribuição, mediante ameaça de não receberem seus créditos lícitos.

“A organização criminosa composta pelos réus demonstra inegável poder intimidativo contra os empresários extorquidos, não só pela ameaça de não adimplemento de seus créditos perante o poder público, fragilizando-os e deixando-os sob o jugo dos réus, mas também pela participação armada do quarto denunciado, ex-policial civil, que segundo a denúncia e foi demonstrado pelo caderno probatório, facilita o sucesso na obtenção da vantagem ilícita, inclusive fazendo o recolhimento do dinheiro em espécie entregue pelos empresários coagidos”, escreveu o juiz, em sua decisão.

O juiz também afirmou que a prisão de justifica porque as testemunhas correm riscos com a liberdade dos réus, “sendo certo que o réu conhecido como Toninho exerce inegável intimidação armada contra as testemunhas e em especial contra o colaborador”. “Assim, de extrema necessidade garantir-se a instrução criminal e sua lisura mediante a proteção das testemunhas e do colaborador, sem o que as provas carreadas aos autos correm risco de não serem judicializadas em momento oportuno”, justificou. 

Operação. Um dos mandados de prisão é contra o o ex-ministro dos Transportes e presidente nacional do PR, Antônio Carlos Rodrigues. Até o momento, não foi confirmado se ele já foi encaminhado à PF.

A operação é embasada, principalmente, na delação do empresário André Luiz da Silva Rodrigues, da empresa Ocean Link Solutions Ltda. Ele relatou ao MPE que realizou um contrato simulado com a JBS para que o grupo da família Batista pudesse doar R$ 3 milhões para a campanha do ex-governador.

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