‘Difícil de engolir essa’, diz Janot sobre parecer que tirou Alckmin da Lava Jato

‘Difícil de engolir essa’, diz Janot sobre parecer que tirou Alckmin da Lava Jato

Rodrigo Janot critica pedido do vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, para que inquérito sobre ex-governador saia do STJ e fique sob a tutela da Justiça Eleitoral de São Paulo, medida decretada nesta quarta-feira, 11, pela ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça

Luiz Fernando Teixeira

12 Abril 2018 | 14h37

Geraldo Alckmin. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, voltou ao twitter para comentar o panorama político do país. Ele manifestou indignação com a decisão da ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de aceitar o pedido do vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, de enviar o inquérito que investiga o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) por suspeitas de caixa 2 para a Justiça Eleitoral de São Paulo.

“Tecnicamente difícil de engolir essa”, afirmou Janot.

+ Defesa vê ‘açodamento’ de procuradores que querem investigar Alckmin sem foro

A decisão livra Alckmin da Operação Lava Jato após ele perder o foro privilegiado a que tinha direito por ser governador. Ele deixou o cargo na sexta-feira, 6, para disputar a Presidência da República.

Rodrigo Janot. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Os delatores da Odebrecht Benedicto Barbosa Junior, Carlos Armando Paschoal e Arnaldo Cumplido citaram suposto repasse de recursos a Alckmin a título de ‘contribuição eleitoral’.

As doações não contabilizadas teriam contado com a participação do cunhado do pré-candidato a presidente, Adhemar Cesar Ribeiro, também investigado no inquérito.

O vice-procurador-geral da República encaminhou ofício destacando que a apuração sobre o ex-governador de São Paulo ‘não tem como procuradores naturais’ o grupo.

Mariz Maia ainda disse que não foi informado sobre a alegada urgência no encaminhamento das investigações e ressaltou que não lhe parece “cabível falar em encaminhamento à força-tarefa de feitos judiciais”. Ele sugere que os procuradores, se for o caso, “solicitem o compartilhamento de provas” ao juízo competente do caso.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ALCKMIN

A defesa do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou, nesta quarta-feira, 11, ver ‘açodamento’ na ofensiva da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo, que pediu – ‘o mais rápido possível’ – que o inquérito contra o tucano deixe a Procuradoria-Geral da República e seja deslocado para competência dos procuradores federais em São Paulo.

O advogado José Eduardo Alckmin, que defende o ex-governador, diz que se ‘surpreendeu com a notícia do açodamento de setores do Ministério Público Federal, já que o processo está tramitando normalmente e será remetido, em termo oportuno, para instância competente’.