‘Ao Judiciário não cabe ser o guardião de segredos sombrios do governo’, diz juiz da Lava Jato

Em Porto Alegre, durante painel no Fórum da Liberdade, Sérgio Moro defendeu enfaticamente a publicidade de processos e afirma que 'vazamentos' da operação ocorreram, mas que ele 'não é o autor deles'

Pedro Venceslau, Idiana Tomazelli e Dayanne Sousa/Porto Alegre

10 Abril 2018 | 12h34

 Foto: JOSÉ CARLOS DAVES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS

O juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, defendeu nesta terça-feira, 10, a publicidade dos processos, mas disse ser contra vazamentos de informações sigilosas. Durante palestra no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, ele disse que ocorreram vazamentos durante o andamento de processos da Operação Lava Jato, mas afirmou não ter sido o responsável por informações sigilosas que chegaram à imprensa. “Vazamentos ocorreram, não sou o autor deles.”

“Existe diferença entre vazamento e publicidade”, afirmou. “O que eu fiz em todos os casos foi deixar o sigilo legal levantado. Acredito que, abrindo os processos e as provas, as pessoas podem emitir seus próprios julgamentos.”

Moro disse que não se pode pensar que os cidadãos não têm condições de chegar a suas próprias conclusões.

“Governados têm o direito de saber como se comportam seus governantes e também têm direito de saber como se comporta a Justiça. Ao Judiciário não cabe ser o guardião de segredos sombrios do governo”, afirmou Moro. “A Constituição é mandatória de que processos devem ser públicos, segredo é excepcional.”

O juiz federal avaliou ainda que os vazamentos de informação tiveram um “efeito colateral” positivo, porque colocaram a opinião pública a favor da Lava Jato. Ele considerou que esse apoio da sociedade foi importante para barrar “tentativas de obstrução da Justiça”. Moro não deu detalhes sobre o que considerou como tentativas de obstrução, mas mencionou as propostas de criação de “leis especiais” e “ações nos bastidores”. Para ele, a imprensa tem sido ‘favorável aos trabalhos realizados’.

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