Palocci não é delator, diz Lava Jato

Palocci não é delator, diz Lava Jato

A força-tarefa da Operação Lava Jato esclareceu, nesta quarta-feira, 6, que ainda negocia colaboração com a defesa do ex-ministro

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

07 Setembro 2017 | 05h00

Antonio Palocci. Foto: Reprodução

A força-tarefa da Operação Lava Jato esclareceu, nesta quarta-feira, 6, que ainda negocia delação com a defesa do ex-ministro Antônio Palocci. A explicação foi dada por um dos procuradores da República presentes no depoimento em que o petista resolveu confessar participação em esquemas na Petrobrás e incriminou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Palocci foi preso na Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato, em setembro de 2016, e condenado por Moro a 12 anos e 2 meses de prisão. Ele está tentando fechar acordo de delação premiada com a força-tarefa do Ministério Público Federal.

Nesta quarta-feira, espontaneamente, Palocci confessou ter intermediado relações delituosas entre o Lula e o grupo Odebrecht. Segundo o ex-ministro a empreiteira ofereceu um pacote de propinas que envolve R$ 300 milhões, o terreno onde seria sediado o Instituto Lula e o sítio em Atibaia.

Antes do início do interrogatório, o advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin Martins, pediu esclarecimentos sobre o andamento das tratativas para delação premiada do petista. “Como havia sido estabelecido no início da instrução, a defesa do presidente Lula gostaria de saber, para melhor se posicionar ao longo da audiência se existe algum acordo de colaboração em curso e qual seria o status das negociações”.

“Nós não temos acordo de colaboração firmado com o réu aqui presente. Ele nos procurou, estamos conversando, nos não temos nada prometido, nem assegurado nem garantido, nem ele nos trouxe elementos prova que estão sendo utilizados em qualquer momento”, respondeu um procurador da força-tarefa.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LULA

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O depoimento de Palocci é contraditório com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas.

Preso e sob pressão, Palocci negocia com o MP acordo de delação que exige que se justifiquem acusações falsas e sem provas contra Lula.

Como Léo Pinheiro e Delcídio, Palocci repete papel de validar, sem provas, as acusações do MP para obter redução de pena.

Palocci compareceu ato pronto para emitir frases e expressões de efeito, como “pacto de sangue”, esta última anotada em papéis por ele usados na audiência.

Após cumprirem este papel, delações informais de Delcídio e Léo Pinheiro foram desacreditadas, inclusive pelo MP.

Cristiano Zanin Martins”