Temer se prepara para enfrentar terceira denúncia da PGR

Temer se prepara para enfrentar terceira denúncia da PGR

Coluna do Estadão

22 Março 2018 | 05h30

SINAIS PARTICULARES: Michel Temer, presidente da República; por Kleber Sales

 

Interlocutores do presidente Michel Temer já trabalham com a informação de que ele será denunciado pela terceira vez pela Procuradoria-Geral da República e começam a preparar o campo político para tentar impedir que a Câmara autorize abertura de processo contra ele no Supremo. Na noite de terça, 20, as conversas sobre o assunto se intensificaram entre advogados e ministros. A expectativa é de que a procuradora Raquel Dodge pode denunciar Temer no inquérito dos Portos antes da eleição de outubro, o que contaminará o período eleitoral.

É matemática. Diante do novo cenário, a reforma ministerial será usada para garantir apoio na Câmara, responsável por analisar denúncias contra presidentes.

Recalculando. Temer também tem sido aconselhado a montar o novo Ministério de forma a garantir apoio à sua reeleição ou de seu candidato. Quanto mais força eleitoral ele tiver, maior será sua chance de barrar uma 3.ª denúncia no meio da campanha.

Há vagas? Uma força-tarefa procura um local sem riscos para o ex-presidente Lula cumprir sua pena de 12 anos e um mês de prisão em regime fechado. Há temor do que pode ocorrer se ele for para um presídio.

Ideias. Uma opção seria levá-lo para uma sala de Estado-Maior, existente em todas as dependências do comando das Forças Armadas ou da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Ou reproduzi-la na superintendência da Polícia Federal no Paraná.

Crise. Responsável pelo grupo que investiga políticos com prerrogativa de foro, o delegado Josélio Azevedo, comunicou aos colegas que deixará o cargo. O delegado Márcio Anselmo, que atuou na Lava Jato, deve assumir o posto.

Troca. Josélio tomou a decisão após ser informado que o grupo de inquéritos especiais, que cuida de investigações como a Lava Jato, sairá do seu comando e passará a ser subordinado à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor). O delegado é considerado um líder pelos colegas e a saída abriu uma crise.

Pisão no pé. O ministro Gilmar Mendes já chegou irritado à sessão do Supremo ontem, quando trocou farpas com o colega Luís Roberto Barroso. O motivo foi a decisão de Luiz Fux que tirou da pauta discussão sobre fim do auxílio-moradia. A extinção do penduricalho é uma bandeira de Gilmar.

Golpe. Gilmar aponta um acordão entre Fux, a ministra da AGU, Grace Mendonça, e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Um despacho da ministra ajudou a adiar a discussão. Juízes questionariam a verba de sucumbência paga aos advogados da União se o auxílio-moradia caísse.

LEIA MAIS: Fux tira auxílio-moradia da pauta do Supremo

O troco. O núcleo do governo brincou ontem que pediria a quebra do sigilo do ministro Luís Roberto Barroso diante das insinuações de Gilmar Mendes sobre seu ex-escritório de advocacia. Barroso quebrou o sigilo de Michel Temer no inquérito dos portos, do qual é relator.

Cabeças-pretas. Os deputados federais Pedro Vilela (AL), Pedro Cunha Lima (PB) e Daniel Coelho (PE) estudam trocar o PSDB pelo PPS na janela partidária.

Partilha. Uma das exigências de Antonio Anastasia para disputar o governo de Minas é receber já na largada todos os recursos para a campanha. Diz que tem horror a dívidas.

Bolo. O PSDB vai dividir em três partes iguais os R$ 210 milhões dos fundos que têm para gastar na eleição presidencial, governadores/Senado e de deputados.

CLICK. Sem terno e de camisa branca, como os gerentes do Banco do Brasil, o presidenciável Henrique Meirelles encontrou o cantor Ivan Lins após palestra no banco.

 

Escolham. Temer costurou com o presidente do DEM, ACM Neto, e o ministro Mendonça Filho a indicação de um técnico para o MEC. A secretária executiva Maria Helena, que é tucana, não está descartada.

Sem filtros. Na conversa, ontem, também falaram sobre a relação do DEM com o governo. O encontro começou tenso, com diálogos “sinceros e transparentes”.

Morno. Após a reunião, um demista definiu assim a relação: “Não será um rompimento, mas também não será um casamento”.

PRONTO, FALEI! 

“A Aneel tem obrigação de conduzir o ressarcimento dos consumidores prejudicados com o apagão”, DO DEPUTADO DUDU DA FONTE (PP-PE), que presidiu a CPI da conta de luz,  sobre o blackout que atingiu 13 Estados do Norte e Nordeste.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA. COLABOROU VERA ROSA

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