Índios tupinambás ocupam hotel de Armínio Fraga no litoral da Bahia

Indígenas alegam que estabelecimento fica em área de reserva; Funai fará levantamento geográfico

TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

08 Abril 2013 | 14h33

SALVADOR - Um grupo de cerca de 70 índios tupinambás ocupa, desde o fim da tarde desta segunda-feira, 8, as dependências do hotel Fazenda da Lagoa, no município de Una, no litoral sul da Bahia. O hotel tem como sócios o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, a artista plástica carioca Mucki Skowronski e seu marido, o empresário Arthur Bahia.

Armados com facões, lanças e flechas, os indígenas chegaram ao hotel de barco, pelo Rio Una e invadiram a propriedade por volta das 16 horas. Em seguida, expulsaram os funcionários e ocuparam tanto a sede quanto os 14 bangalôs do empreendimento.

Não havia hóspedes no local - de acordo com funcionários, há três meses o hotel não recebe visitantes. A diária no hotel, que conta com um spa e uma longa faixa de areia pouco visitada em frente, custa a partir de R$ 1 mil.

Em entrevista à TV Bahia, afiliada da Rede Globo no Estado, o cacique Valdenilson Oliveira, conhecido como Val Tupinambá, disse que o objetivo da invasão é pressionar o governo a acelerar o processo de demarcação de reserva indígena em uma área de 47 mil hectares, entre os municípios de Una, Ilhéus e Buerarema.

De acordo com ele, o terreno no qual o hotel está instalado está inserido na área indígena. "Queremos que o governo se manifeste para resolver a situação fundiária do território tupinambá", disse o líder.

Ainda segundo o cacique, não há previsão para a saída do grupo, que já havia ocupado uma fazenda na mesma região na semana passada e pretende fazer outras invasões em empreendimentos da área ao longo do mês.

Representantes do estabelecimento estiveram, na manhã desta segunda, na sede da Polícia Federal em Ilhéus para prestar queixa. Segundo a publicitária Isabella Skowronski, irmã de Mucki, o escritório que administra o hotel, com sede no Rio, foi fechado até que seja dada uma solução para o caso.

Agentes da Polícia Federal e da Fundação Nacional do Índio (Funai) estiveram na propriedade para verificar a situação e levantar as coordenadas geográficas do terreno - o que vai ajudar a determinar se o hotel está dentro da área reivindicada pelos indígenas.

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