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Sede da Fifa, na Suíça Reuters

Vazamento liga membro do comitê de ética a três acusados no escândalo da FIFA

Documentos secretos mostram o quão profundamente o futebol se enredou no mundo dos paraísos fiscais

Gary Rivlin, Marcos García Rey e Michael Hudson *, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2016 | 15h53

Documentos vazados revelam que o escritório de advocacia pertencente a um integrante do comitê de ética na FIFA tinha relações comerciais com três homens que foram indiciados no escândalo de corrupção da entidade que coordena o futebol mundial.

 

Os arquivos confidenciais revelam acordos anteriormente desconhecidos entre os três homens e Juan Pedro Damiani, integrante do Comitê Independente de Ética da FIFA, que tem tomado decisões a respeito de uma série de expulsões de altos executivos da organização.

 

Os registros mostram que Damiani e seu escritório de advocacia trabalharam para pelo menos sete companhias offshore - empresas abertas em paraísos fiscais - ligadas a Eugenio Figueredo, ex-vice-presidente da FIFA, que está na mira das autoridades norte-americanas. Após ser preso na Suíça, em maio de 2015, ele admitiu ter participado do esquema de pagamento de propinas a dirigentes da Fifa por meio de empresas de TV e de marketing para garantir os contratos de transmissão dos campeonatos de futebol na América do Sul.

Os documentos também indicam que o escritório de advocacia de Damiani serviu de intermediário para uma empresa sediada no Estado de Nevada (EUA) ligada a Hugo e Mariano Jinkis, respectivamente pai e filho. Os dois formam uma equipe de empresários que têm sido acusados de pagar dezenas de milhares de dólares em suborno para conseguir os direitos de transmissão para eventos da FIFA na América Latina.

 

Os documentos não mostram a existência de conduta ilegal da parte de Damiani ou de seu escritório de advocacia. O material, contudo, levanta novas questões tanto a respeito de Damiani quanto da FIFA, em um momento em que a ligação entre offshores e corrupção se torna um tema de crescente preocupação das autoridades no âmbito do esporte mais popular do mundo.

 

Damiani, presidente do Club Atlético Peñarol, do Uruguai disse que seu escritório de advocacia não mantém “qualquer relacionamento profissional” com qualquer pessoa indiciada na investigação sobre a FIFA. Ele, contudo, não respondeu uma pergunta sobre relacionamentos prévios de trabalho com pessoas indiciadas no caso.

Um porta-voz do comitê de ética da Fifa confirmou, no entanto, que Damiani informou ao órgão, em 18 de março, que ele teve negócios com Figueiredo. O episódio aconteceu um dia depois que o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos enviou perguntas a Damiani sobre os trabalhos de sua empresa de advocacia para companhias ligadas ao antigo vice-presidente da Fifa.

Leia mais sobre os arquivos da Mossack Fonseca no site panamapapers.icij.org (em inglês).

*Repórteres do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos

 
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Documentos revelam empresas de Messi e Platini em paraísos fiscais

Ao todo, cerca de 20 importantes jogadores em atividade e aposentados, incluindo o argentino Lionel Messi e o francês Michel Platini, que se utilizaram de offshores, até então desconhecidas

*Gary Rivlin, Marcos García Rey e Michael Hudson, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2016 | 15h37

A lista de offshores  - empresas criadas em paraísos fiscais - aberta pela Mossack Fonseca no Panamá e revelada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos traz à tona alguns dos maiores jogadores de futebol do passado e do presente que movimentaram dinheiro no submundo da economia global.

Ao todo, são cerca de 20 importantes jogadores em atividade e aposentados, incluindo o argentino Lionel Messi e o francês Michel Platini, que se utilizaram de offshores, até então desconhecidas.

Estrela do Barcelona, o argentino foi escolhido cinco vezes o melhor jogador do mundo e já foi indiciado na Espanha sob acusações de que ele e seu pai, Jorge Horacio Messi, usaram companhias offshore em Belize e no Uruguai para sonegar do governo milhões de dólares em impostos.

 

Os documentos vazados mostram que Messi e seu pai são proprietários ainda de outra companhia offshore no Panamá, a Mega Star Enterprises. 

A primeira referência à companhia nos arquivos da Mossack Fonseca surgiram em 13 de junho de 2013, um dia depois de promotores espanhóis terem entrado pela primeira vez com acusações de fraude fiscal contra Messi e seu pai.

Por meio de seu pai, Messi recusou-se a falar sobre o assunto.

Já o ex-craque francês Platini, figura importante no escândalo  de corrupção da FIFA revelado em 2015, confiou na Mossack Fonseca para ajudá-lo a administrar uma companhia offshore criada no Panamá em 2007, o mesmo ano em que foi nomeado presidente da UEFA, a associação europeia de futebol. 

Platini recebeu poderes ilimitados como procurador da Balney Enterprises Corp., que ainda estava ativa nos negócios em março de 2016, segundo os registros comerciais do Panamá.

Antigo membro do comitê executivo da FIFA, o ex-atleta já havia sido banido do esporte por seis anos por causa de um questionável pagamento de US$ 2 milhões recebido por ele da FIFA em 2011.

Um advogado de Platini disse que seu cliente é cidadão suíço e lembrou que todas as suas “contas bancárias, investimentos ou ativos são de conhecimento das autoridades suíças”.

*Repórteres do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos

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Investigados no caso Fifa também utilizaram offshores 

Quatro dos 16 funcionários da entidade indiciados nos Estados Unidos por participar do esquema de corrupção usaram empresas em paraísos fiscais criadas pela Mossack Fonseca

Gary Rivlin, Marcos García Rey e Michael Hudson *, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2016 | 15h00

Os milhões de documentos da Mossack Fonseca, empresa especializada em abrir empresas em paraísos fiscais, trazem mais detalhes sobre os funcionários da Fifa envolvidos no esquema de corrupção da principal entidade do futebol no mundo. 

Quatro dos 16 funcionários da FIFA indiciados nos Estados Unidos por participar do esquema de corrupção na entidade usaram empresas offshores criadas pela Mossack Fonseca. Além deles, quatro empresários ligados ao caso Fifa também utilizaram dos serviços da Mossack para adquirir empresas, mostram os registros vazados.

O escândalo da Fifa veio à tona em 2015, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apontou que empresários de TV e de marketing pagavam propinas para obter os direitos de transmissão para jogos e campeonatos organizados pelo organismo mundial do futebol em vários países.

Dentre os nomes aparece ainda Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA de 2007 até setembro de 2015, quando foi banido por acusações de corrupção. Ele consta como proprietário de uma companhia nas Ilhas Virgens Britânicas chamada Umbelina S.A., criada em julho de 2013. Há indícios de que a empresa foi usada para a compra de um iate registrado nas Ilhas Cayman. 

No Brasil, o ex-secretário da Fifa ficou famoso ao criticar o País pelos atrasos nos preparativos da Copa do Mundo de 2014. Em 2012 ele chegou a sugerir que o País precisava receber um “chute no traseiro” para agilizar obras e até mudanças na legislação para o mundial.

 

“Publique o que você quiser”, escreveu Valcke em resposta a um e-mail no qual reagia às perguntas sobre o caso. “A companhia já não existe mais e nunca teve recursos próprios, nunca teve uma conta bancária e nunca teve qualquer atividade comercial.”

Estas descobertas são o resultado de uma investigação de um ano realizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e outros parceiros. Os participantes da reportagem vasculharam mais de 11 milhões de registros dos arquivos internos da Mossack Fonseca, escritório de advocacia do Panamá que é especializado em ajudar os ricos e poderosos a montar companhias offshore.

Leia mais sobre os arquivos da Mossack Fonseca no site panamapapers.icij.org (em inglês).

*Repórteres do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos

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