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Premiê britânico admite ser acionista de offshore não declarada de seu pai

Cameron afirmou em entrevista à emissora 'ITV' que não tem 'nada a esconder', depois que os vazamentos da Mossack Fonseca revelaram os negócios em paraísos fiscais de seu pai, falecido em 2010

EFE, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2016 | 17h46

Londres - O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, admitiu nesta quinta-feira, 7, que possuiu ações no valor de 30.000 libras (cerca de R$ 158,2 mil) em um fundo de investimento offshore criado por seu pai, Ian Cameron.

O chefe do governo britânico reconheceu que foi titular, junto com sua esposa, Samantha, de 5.000 títulos da Blairmore Investment Trust, uma empresa registrada nas Bahamas, entre 1997 e janeiro de 2010, quatro meses antes de tomar posse como primeiro-ministro.

Cameron afirmou em entrevista à emissora "ITV" que não tem "nada a esconder", depois que os vazamentos de mais de 11 milhões de documentos da empresa panamenha de advocacia e gestão de patrimônios Mossack Fonseca revelaram os negócios em paraísos fiscais de seu pai, falecido em 2010.

O primeiro-ministro, que admitiu ter passado "dias difíceis" desde que os dados sobre o fundo "offshore" tornaram-se públicos, garantiu que as transações estiveram "sempre submissas a todos os impostos do Reino Unido".

Cameron sofreu pressões da oposição desde que os veículos de imprensa informaram que Ian Cameron fundou em 1980 o fundo Blairmore e negou em diversas ocasiões ter posse de qualquer ativo em paraísos fiscais.

Downing Street, residência e escritório oficial do governo britânico, classificou em um um primeiro momento a informação sobre o pai do premiê como um "assunto privado", mas nesta quinta-feira, 7, divulgou detalhes sobre as finanças pessoais de Cameron.

Segundo o porta-voz do primeiro-ministro, Cameron e sua esposa adquiriram as ações por 12.497 libras e as venderam por 31.500 libras 17 anos depois.

"Quero ser o mais claro que puder sobre o passado, o presente e o futuro porque, francamente, não tenho nada a esconder. Estou orgulhoso de meu pai, do que fez, do negócio que estabeleceu e de todo o resto", afirmou Cameron.

"Não posso suportar ver seu nome arrastado pela lama", declarou o primeiro-ministro, para quem as críticas sobre seus negócios familiares estão baseadas na "ideia errônea" de que o fundo Blairmore Investment foi criado "com a ideia de sonegar impostos".

"Não era um fundo familiar. Não era para beneficiar uma família em particular. Qualquer um poderia ter comprado ações. E, o mais importante, se fosse um cidadão britânico e comprasse ações, então pagaria impostos sobre os dividendos", afirmou.

Pelo Partido Trabalhista, o deputado John Mann acusou Cameron de ter sido pouco "honesto" e ressaltou que o primeiro-ministro "deve renunciar imediatamente".

"Cameron teve seis anos para ser honesto com o parlamento e as pessoas. Falhou. Saia agora, hipócrita", disparou Mann através do Twitter.

Segundo o jornal The Guardian, os documentos da Mossack Fonseca revelam que a Blairmore Holdings, que recebeu seu nome de uma proporiedade rural da família Cameron em Aberdeenshire (Escócia), administrou dezenas de milhões de libras em investimentos de famílias ricas.

A sede da companhia, que foi dirigida por Ian Cameron, foi transferida à Irlanda em 2012, dois anos depois que seu filho tornou-se chefe do governo.

O primeiro-ministro disse hoje que está "satisfeito por responder perguntas" sobre esses negócios e defendeu a necessidade de reforçar as leis fiscais.

"Vou continuar lutando com força para assegurar que tenhamos maior transparência e melhores normas que impeçam a evasão fiscal", afirmou.

Na terça-feira, após negar que tivesse ações de empresas em paraísos fiscais, Cameron alegou que não há "governo ou primeiro-ministro que tenha feito mais para garantir o fim da evasão fiscal" do que ele próprio. 

 

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