Felipe Rau|Estadão
Felipe Rau|Estadão

Lobista investigado na Lava Jato teve offshore não declarada

Investigação jornalística revela nova empresa de fachada de Milton de Oliveira Lyra Filho, ligado ao presidente do Senado, Renan Calheiros

Fernando Rodrigues, André Shalders, Mateus Netzel e Douglas Pereira, do UOL *, O Estado de S. Paulo

03 de abril de 2016 | 15h00

Documentos da série The Panama Papers revelam que o empresário Milton de Oliveira Lyra Filho, investigado na Lava Jato e próximo ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é beneficiário da offshore Venilson Corp, aberta em fevereiro de 2013 no Panamá. 

A empresa foi usada para abrir uma conta numa agência do banco UBS na Alemanha. A instituição bancária encerrou as relações com o brasileiro cerca de dois meses depois, quando houve uma tentativa de movimentar uma alta quantia pela conta sem que estivesse esclarecida a origem do dinheiro.

 

Procurado, Milton negou ter tentado movimentar uma quantia vultosa nessa conta. Admitiu, entretanto, não ter declarado a offshore Venilson às autoridades brasileiras. "A empresa Venilson foi aberta em 2013 e acabou nunca sendo utilizada. Integrava uma estrutura societária cuja empresa controladora foi declarada. A conta da Venilson foi encerrada ainda no ano de 2013”, disse Milton em mensagem enviada por e-mail.

 

Milton de Oliveira Lyra Filho é um empresário conhecido em Brasília. Há alguns anos, comanda o empreendimento comercial Meu Amigo Pet, uma rede de produtos para animais de estimação que atua na internet e também com lojas físicas. Bem relacionado com vários políticos, Milton aproximou-se do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), há cerca de 10 anos. Já trabalhou também com o usineiro e ex-deputado João Lyra – eleito em 2010 pela última vez pelo PTB de Alagoas, mas depois filiou-se ao PSD.

 

A notoriedade de Milton aumentou no final de 2015, quando o senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) foi preso numa das fases da Operação Lava Jato. Um bilhete apreendido na casa de Diogo Ferreira, então chefe de gabinete de Delcídio, falava de uma suposta propina de R$ 45 milhões. Milton Lyra é citado nesse contexto nas mesmas anotações – e nega qualquer tipo de conexão com essa história. 

Leia mais sobre os arquivos da Mossack Fonseca no site panamapapers.icij.org (em inglês).

Confira a nota da assessoria de Milton Lyra:

"Milton de Oliveira Lyra Filho não é investigado nem é alvo de inquérito penal e jamais foi acusado de qualquer irregularidade envolvendo o fundo de pensão dos Correios, o Postalis. A reportagem publicada nesta segunda-feira (4/4) pelo site do jornal O Estado de S. Paulo erra infantilmente ao não checar sequer as datas. O mencionado “escândalo que irrompeu no ano passado” acerca do Postalis jamais poderia ser atribuído ao empresário, já que a empresa Venilson Corporation foi aberta em 2013, como a própria reportagem informa. As apurações da Polícia Federal acerca de suspeitas sobre o Postalis envolvem fatos entre 2006 e 2011, conforme noticiado pela imprensa. 

Ao contrário do que também afirma O Estado de S.Paulo no texto intitulado “Lobista investigado na Lava Jato teve offshore não declarada”, publicado no domingo, 3 de abril, Milton de Oliveira Lyra Filho não é investigado pela operação da Polícia Federal, não é “lobista” e seguiu rigorosamente a legislação brasileira, declarando ao Fisco brasileiro o que deveria ser declarado.

Assessoria de Imprensa"

 

*Participam da série Panama Papers, além da equipe do UOL,  Diego Vega e Mauro Tagliaferri, da RedeTV!, e José Roberto de Toledo, Daniel Bramatti, Rodrigo Burgarelli, Guilherme Jardim Duarte e Isabela Bonfim, de O Estado de S. Paulo

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