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Colocada em evidência pelos 'Panama Papers', Suíça abre investigação

Mais de 4 mil empresas offshore foram criadas a partir de Genebra e Zurique, segundo os dados da Mossack Fonseca

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2016 | 13h33

GENEBRA – Responsável pela abertura de milhares de empresas offshore reveladas pelos Panama Papers, a Suíça anuncia que abre um inquérito para determinar se houve irregularidades, principalmente por parte de seus bancos. Em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira, 7, o procurador-geral de Genebra, Olivier Jornot, indicou que "o inquérito foi estabelecido". 

Por enquanto, as autoridades se recusam a dar detalhes sobre o caso. Mas, segundo as revelações, os bancos suíços estão na linha de frente na abertura dessas estruturas financeiras que, apesar de legais, podem ser usadas para camuflar recursos. 

Entre os dez bancos mundiais que mais usaram o mecanismo estão a filial do HSBC na Suíça, além do UBS e Credit Suisse. Só o HSBC abriu mais de 2,3 mil empresas, contra 1,1 mil pelo UBS e outras 1,1 mil pelo Credit Suisse.

A Associação de Bancos Suíços rejeitou qualquer irregularidade, apontando que os bancos do país atuam dentro das leis e que "não toleram" recursos "sujos". Pelos documentos, porém, a Mossack Fonseca usou seu escritório em Genebra para abrir quase 20% de todas as sociedades offshore pelo mundo, inclusive de ditadores.  

Além disso, a Suíça está em primeiro lugar no ranking da Mossack em número de offshores com sede no país: 38.434. Está em 10º lugar no ranking de acionistas, com 3.468. E em sexto no de beneficiários, com 309.

 

Com o anúncio, a Suíça se soma a mais de dez países que já indicaram que irão abrir inquéritos sobre o caso que já derrubou um governo - o da Islândia - e gerou ordens de censura da parte da China diante de revelações sobre a liderança do país comunista.

Na quarta-feira, o Ministério Público da Suíça também abriu uma investigação contra a Uefa diante das revelações sobre o possível envolvimento do presidente da Fifa com empresas sob suspeita. Infatino, na época dos contratos, era diretor-jurídico da Uefa. 

Em 2015, a procuradoria de Genebra chegou a abrir um caso contra o HSBC Private Bank depois das revelações do Swissleaks. Mas um acordo acabou sendo fechado e o banco pagou uma multa de US$ 40 milhões, evitando uma condenação.

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