Zuanazzi diz que Anac é vítima de perseguição política

Criticada pelo ministro da Defesa,Nelson Jobim, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), queregula o setor aéreo brasileiro, está sendo vítima de umaperseguição política, segundo seu presidente, Milton Zuanazzi. "Eu acho que está havendo (perseguição política) contranós. Não está se colocando com precisão o papel da agência",disse Zuanazzi a jornalistas, na tarde desta segunda-feira, aochegar para uma audiência no Senado sobre marco regulatório daaviação. A necessidade da existência da Anac chegou a ser colocadaem dúvida pelo ministro na semana passada, em depoimento à CPIda Crise Aérea no Senado. Jobim não tem poderes diretos sobre aagência, uma vez que os diretores têm mandato de quatro anosgarantidos por lei. "Todas as agências no Brasil têm uma responsabilidade e nonosso entendimento estamos cumprindo-as plenamente", afirmouZuanazzi, que chegou a ser condecorado com a medalha "MéritoSantos Dumont" por serviços prestados à Aeronáutica, diasdepois da pior tragédia da aviação do país, envolvendo umAirbus A320 da TAM, que deixou 199 mortos, e em meio a umagrave crise no setor. Excluída da reunião que Jobim teve nesta manhã comrepresentantes das companhias aéreas, a Anac, no entender deZuanazzi está sendo apresentada como "vilão da crise". O presidente da Anac minimizou a queixa de Jobim sobre oespaço entre os assentos dos aviões, que o ministro voltou acobrar na reunião dessa manhã. Jobim havia dito à CPI da CriseAérea que passa por incômodos quando viaja de avião por ter1,90m. Segundo Zuanazzi, esse é um problema que atinge 5 por centodos passageiros, de acordo com pesquisas. "Mas concluímos quetemos que legislar para essa minoria da população queultrapassa esses limites", afirmou, acrescentando que em 30dias, após consulta pública, terá um diagnóstico real sobreisso. Zuanazzi defendeu ainda a diretora da Anac, Denise Abreu,acusada pelo ex-presidente da Infraero, brigadeiro José CarlosPereira, de fazer lobby para a transferência do terminal decargas de Viracopos para o aeroporto de Ribeirão Preto,administrado por um amigo seu, e de ter incitado as empresasaéreas para que enfrentassem as diretrizes do governo sobreredução do movimento em Congonhas. O presidente da Anac disse que o caso está sendo colocadofora de contexto. A nova malha aérea, com o deslocamento de 151 vôos deCongonhas para Guarulhos e outros aeroportos, não foi vistacomo problema por Zuanazzi, que acha que a Anac vai se adaptarà situação.

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