Washington Alves/Estadão
Washington Alves/Estadão

Zema diz que errou ao prometer que não pagaria salário a secretários estaduais

‘Tenho de dar a mão à palmatória e dizer que errei nessa questão aí’, afirmou em entrevista à radio CBN

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2019 | 22h20

BRASÍLIA - Após pouco mais de cinco meses no cargo, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reconheceu que errou ao prometer, durante a campanha, que seus secretários não teriam remuneração até que todos os servidores do Estado recebessem em dia. Durante a corrida eleitoral, Zema, que concorreu pelo partido Novo, chegou a assinar um termo de compromisso e registrá-lo em cartório, dizendo que ele, seu vice e seus secretários não receberiam vencimentos enquanto salários e pensões de servidores estivessem em atraso. A medida foi um de seus mais incensados atos de campanha.

Uma vez no cargo, porém, Zema mudou o entendimento. Ele agora sustenta que, na verdade, é preciso reajustar os salários de seus secretários. Segundo o governador mineiro, eles recebem remuneração muito abaixo da média do País. “Tenho de dar a mão à palmatória e dizer que errei nessa questão aí”, afirmou em entrevista à radio CBN na quarta-feira. 

Zema, ex-empresário e um neófito na política, atribuiu “o erro” ao fato de não ter tido experiência pública anterior. “Não tinha conhecimento de como seria após estar assumindo”, disse. “Reconheço que foi um anúncio errado na minha campanha. O que diz respeito a mim, estou cumprindo. O que diz respeito aos secretários, nós teríamos, na minha opinião, de corrigirmos o que ganham para um patamar que seja igual ao de outros Estados”, disse na entrevista.

A legislação não permite que um servidor recuse o recebimento do salário. Por isso, o governador e seu vice, que também é empresário e filiado ao Novo, vêm doando seus salários a instituições de caridade. Os secretários estaduais, porém, estão mantendo seus vencimentos. Todos ganham cerca de R$ 10 mil mensais.

Zema foi o candidato ao governo mineiro que declarou ter o maior patrimônio acumulado, de R$ 69 milhões. Entre seu secretariado, há quadros políticos, como o ex-prefeito de Juiz de Fora, Custódio Mattos (PSDB), que assumiu a Secretaria de Governo.

Outro recuo ocorreu em relação aos "jetons”, remuneração adicional dada aos secretários que atuam em conselhos de empresas estatais. Durante a campanha, Zema foi um crítico feroz do uso do instrumento. Na cadeira de governador, no entanto, vetou a emenda feita pelos deputados estaduais em sua reforma administrativa que proibia o pagamento de jetons.

Segundo Zema, ele descobriu que eles são necessários justamente porque os salários dos secretários são muito baixos, o que dificulta atrair quadros de qualidade ao governo do Estado.

“Vi que o salário que os nossos secretários hoje recebem são menos da metade que um secretário municipal da prefeitura de Belo Horizonte. Está totalmente em desacordo com os demais Estados. Se fizermos uma média de Goiás, São Paulo, Rio e Espírito Santo, o salário (de Minas) talvez seja um quarto e um terço”, argumentou.

Atualmente, três dos doze secretários de Zema atuam em conselhos de estatais. Apesar de ter atuado para mantê-los, Zema diz que segue contra os jetons. “Gostaria ainda no meu governo, assim que Minas recuperar a finanças, que fique proibido secretário participar de empresas estatais. Ou que vão como voluntários só para contribuir e que tenham o salário reajustado igual a de outros estados”, disse Zema à CBN.

Procurado, a assessoria de comunicação do governo de Minas Gerais disse que o recebimento de salário é um direito Constitucional e, por esse motivo, “representa um benefício irrenunciável”. Afirmou ainda que o governador Zema doou seus salários até o momento para quatro instituições: a Apae de Papagaois; a Apae de Maravilhas; o Grupo Samaritanas, de Nepomuceno; e o Asilo São Vicente de Paulo, de Guarda Mor.

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