''Zelador disse que senador procurava apartamento''

ENTREVISTAS - Sidney Wajsbrot: empresário

Rodrigo Rangel, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

O empresário Sidney Wajsbrot, proprietário de uma fábrica de plásticos localizada em Guarulhos, na Grande São Paulo, foi o vendedor do apartamento de número 32 do edifício Solar de Vila América. Ele conta que o nome da família Sarney só apareceu no negócio extraoficialmente.O zelador do edifício, que intermediou a venda, lhe contou que o apartamento seria para o senador.O senhor chegou a negociar com alguém da família Sarney?Não me encontrei com o senador. Quem falou que era o Sarney que estava por trás do negócio foi o zelador do prédio, que me indicou para eles. Depois veio essa moça de Brasília (Rosane Frota), que também não tocou no nome de Sarney. Ela veio com o rapaz do cartório de Sorocaba, trouxe um cheque nominal, emitido pela empresa (Aracati), e assinamos a escritura.No papel, não havia nada em nome dos Sarney?Eu soube pelo zelador que era ele (Sarney) que estava comprando, mas, legalmente, não tem o nome dele no negócio. Ela não falou em nomes. É uma pessoa escolada. Disse apenas que representava a empresa que estava comprando o apartamento. Pelo que vi, eles têm experiência.Chegaram a visitar o apartamento, antes da compra? Veio esse Rogério Frota. Entrou com o zelador. Inclusive foi bastante arrogante, chegou lá para ver e disse que ia botar tudo abaixo para fazer uma decoração bonita. Depois, ele mandou a oferta, essa moça em poucos dias preparou o contrato, veio aqui e o negócio foi feito rapidamente. Até porque, não como outros que têm dinheiro sobrando, eu estava precisando do dinheiro. Qual foi a impressão que o sr. teve quando lhe falaram que o apartamento era para José Sarney?Ele (Sarney) tinha mais dois apartamentos no mesmo edifício. O zelador, quando me procurou, disse que o senador estava procurando um apartamento, que ele já tinha dois apartamentos no prédio e queria um terceiro, para um assessor dele, no mesmo edifício.O senhor não estranhou o negócio, nessas circunstâncias? Achei normal. Conhecendo as coisas, como são feitas no Brasil, eu achei bem normal.

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