Zeca do PT recua e admite falhas

Depois de cinco horas de reunião com a executiva nacional do PT, o governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, recuou e admitiu ter cometido "falhas" ao defender a ampliação de alianças em sua equipe, do PFL ao PSDB, para enfrentar o "cerco" do PMDB à sua administração. A cúpula petista também admitiu que precisa ajudar mais o governador, conhecido como Zeca do PT, a enfrentar as dificuldades políticas e administrativas.Antes de adotar um tom mais cauteloso, Zeca já havia conversado com o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o deputado José Dirceu, presidente do PT. "O desafio não é cometer falhas, mas, sim, ter humildade para reconhecê-las, e eu tenho", disse Zeca, um moderado que integra a tendência Articulação/Unidade na Luta, a mesma facção de Lula e Dirceu.Em nota divulgada na tarde de hoje, a executiva do PT condenou o convite feito pelo governador ao ex-deputado Saulo Queiroz, diretor-executivo do PFL. Na semana passada, Zeca chamou Saulo para assumir a Secretaria Extraordinária de Articulação Institucional, mas o pefelista recusou a oferta. "A partir de agora, vamos construir a política de alianças no Estado de acordo com o que o encontro nacional do PT definiu, em 1999", observou Zeca, numa referência aos partidos neoliberais. Ele não deixou de manifestar, porém, seu desagrado a respeito da citação do nome de seu amigo Saulo Queiroz na nota da executiva. "Discordando da questão do Saulo, de comum acordo com os companheiros eu considero este caso encerrado", afirmou. "Esse caso concreto acendeu uma luz na direção do PT e vamos manter uma nova relação com o Zeca", disse José Dirceu. A nota do PT sustenta que é preciso "construir instrumentos e mecanismos de articulação e de maior entrosamento político" com a administração de Mato Grosso do Sul. Uma das medidas acertadas foi a criação de um conselho político no governo de Zeca - formado por integrantes do PT, PPS PDT, PSB e PC do B. Além disso, o PT terá uma Secretaria de Assuntos de Estado, a ser comandada pelo deputado Jorge Bittar (PT-RJ).Zeca garantiu que não sairá do PT. "Se, eventualmente, eu fizesse isso, voltaria para casa, pois carrego o PT até no nome", argumentou.

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