Zeca do PT é alvo de mais duas ações em MS

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul impetrou hoje mais uma ação criminal e outra civil contra o ex-governador do Estado, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, e um grupo de ex-auxiliares. Eles estão sendo acusados por promotores e policiais civis de desviar pelo menos R$ 30 milhões durante o último mandado de Zeca do PT (2002 a 2006), retirados da verba destinada à publicidade oficial do governo. Também são acusadas de envolvimento várias gráficas e agências de publicidade. Desta vez, a acusação pesa contra a 2000 Publicidade, propriedade de Geraldo Palhano Maiolino e seu sócio, Waldemir Rodrigues Britto. Nas análises feitas em documentações fiscais colhidas durante mandado de busca e apreensão, foi constatada a existência de quase R$ 150 mil em notas sobre material gráfico, confeccionados pela Gráfica Quatro Cores, com sede em Uberaba (MG), para o governo do Mato Grosso do Sul na época. Entretanto, conforme a acusação na esfera criminal, a Gráfica Quatro Cores é empresa fantasma. No endereço contido nas notas fiscais de Uberaba, apresentadas como despesa pela 2000 Publicidade, não foi encontrada nenhuma gráfica. Os promotores da ação civil, Marcos Antônio Sottovia, Gilberto Robalinho, Marcos Sisti e Sílvio Amaral Nogueira de Lima, explicaram que, com os processos impetrados hoje, sobe a quatro as ações que já estão na Justiça contra o ex-governador. As duas primeiras apontam desvios ocorridos nos últimos dois anos da gestão Zeca do PT (200 e 2006) e terão audiência preliminar de defesa dos acusados na próxima semana. Jískia Trentin, promotora da ação criminal, disse que novas ações deverão ser impetradas depois que a documentação apreendida for analisada. "Achamos melhor dividir o caso em blocos. Estamos solicitando a devolução dobrada dos valores desviados. Uma única ação de ressarcimento de todas as perdas poderá não ser bem-sucedida e todo o trabalho, perdido. Vamos recuperando aos poucos, mas tudo, centavo por centavo." Todo o esquema, ainda segundo o Ministério Público, era coordenado por Zeca do PT, pelo então secretário de Coordenação Geral, Raufi Antônio Jacoou Marques, e pelo ex-coordenador de Comunicação Social, Oscar Ramos Gaspar. "O modus operandi, tinha a seguinte trajetória: a determinação que chegava para a ex-funcionária Ivanete Martins, por intermédio do denunciado Oscar Ramos Gaspar, era de que o governador estava precisando de ''tantos'' mil reais, e que era para ela ''se virar'' para ''oficializar'', ''fazer papel'' para justificar a saída do montante de dinheiro". Os acusados informaram que só irão comentar o assunto depois da decisão judicial.

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