Zé Dirceu pode ter cometido erros, mas foi um grande responsável por esse partido, diz Lula

Ex-presidente afirma que o PT tem que ter 'solidariedade' com os companheiros envolvidos em denúncias e defende que sejam julgados com lisura e isenção

Ana Fernandes, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2016 | 13h17

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 20, que o PT tem que ter "solidariedade" com os companheiros envolvidos em denúncias e elogiou o ex-ministro José Dirceu - sem mencionar que ele foi condenado no mensalão e que é investigado na Lava Jato.

"Neste momento, a gente tem que ter muita a solidariedade. Não é porque o companheiro da gente cometeu erro que a gente tem que execrar ele", disse em evento com blogueiros em seu instituto, na capital paulista. "O companheiro Zé Dirceu pode ter cometido muitos erros, mas a gente tem que saber que ele foi um grande responsável por esse partido, foi um grande presidente do partido."

Lula disse que o PT "aprendeu uma grande lição" e que "está sofrendo", mas que não é questão de voltar às origens do partido. O ex-presidente argumentou que o partido mudou muito porque cresceu. "Sabe quanta gente entrou no PT depois que a gente ganhou as eleições? Mais de um milhão. A vida prática é difícil", disse.

O petista defendeu que os "companheiros" implicados em denúncias sejam julgados, em processos com lisura e isenção, e "que o PT siga sua vida".

Lula falou que muitas vezes decretaram a morte do PT e o fim dele mesmo como líder. "O PT saberá fazer justiça a seus companheiros, respeitando os companheiros. Enquanto não for provado que cometeu erro, tenho que estar do lado do meu companheiro. E pode estar certo, o PT vai ressurgir como fênix, vai ressurgir das cinzas muito mais forte."

Ele reforçou que essa determinação vai guiar a legenda nas eleições municipais deste ano. "Estou com muito mais vontade de ir para a periferia nesta campanha do que tive em outras. Gosto de uma briga, sobretudo quando tentam me ofender ou ofender as coisas em que acredito", disse.

"Fecha os olhos 30 segundos e veja o que seria esse País, a política desse País, sem o PT. Isso que a gente vai debater com os tucanos, com quem tiver que debater", afirmou, ao argumentar que é preciso combater o "discurso fascista" da "direita conservadora" no Brasil. "Uni-vos petistas em torno da causa nobre da inclusão social", conclamou.

Erros. O ex-presidente disse, também, que o PT errou e cometeu práticas que condenava, mas afirmou que a legenda tem reconhecido os erros. “O PT, através do presidente Rui Falcão, tem feito autocríticas, inclusive em notas oficiais, apesar do processo de criminalização do partido”, disse, ao ser questionado por blogueiros, durante entrevista coletiva na sede do instituto que leva seu nome, em São Paulo.

Segundo ele, o PT precisa “perceber” que não nasceu para ser igual aos partidos trabalhadores, mas para mudar essa lógica. “No começo, fazíamos campanha vendendo de tudo, com voluntários. Hoje, ninguém quer trabalhar de graça, as campanhas foram ficando caras e parecem até filme de Hollywood e, de repente, o partido ficou igual aos outros e pessoas dentro do PT podem ter tido atitudes equivocadas”, disse.

Apesar de reconhecer a necessidade da legenda de evitar que seus integrantes cometam ilícitos, Lula avaliou que não há como o PT ou qualquer pessoa “voltar às origens”. O que é possível, segundo ele, é voltar a ter os mesmos compromissos e práticas. “Quando eu era sindicalista, tomava cachaça às 5h da manhã antes fazer discurso na porta de fábrica para abrir a garganta”, contou. “Eu não quero voltar às origens”, disse, reforçando que o necessário é que o partido se comprometa com seus ideias.

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