Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Youtube suspende novas publicações de Bia Kicis por uma semana

Conteúdo que questionava eficácia da vacinação infantil contra covid motivou punição

Victor Pinheiro e Levy Teles, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2022 | 19h01
Atualizado 01 de março de 2022 | 20h38

O YouTube bloqueou o perfil da deputada federal e presidente da Comissão de Constituição de Justiça da Câmara dos Deputados, Bia Kicis (PSL-SP), por propagar desinformação sobre vacinas de covid-19. A punição ocorreu no dia 26 de fevereiro e se estende até a próxima sexta-feira, 4, segundo informou a empresa ao Estadão. A medida impede que a parlamentar publique novos vídeos na plataforma, mas conteúdos já divulgados continuam acessíveis ao público.

A parlamentar chegou a anunciar em suas redes sociais que usaria um perfil reserva para publicar conteúdos. Em mensagem a seguidores no Telegram, no entanto, Bia Kicis disse ter sido comunicada pela companhia que a atitude poderia levar ao banimento permanente dos dois canais. O perfil oficial da presidente da CCJ tem mais de 223 mil inscritos. Até a tarde desta terça-feira, nenhum vídeo recente foi divulgado na conta secundária. Na mensagem, Bia Kicis classificou a atitude da plataforma como “censura odiosa”.

O material que deu origem à punição foi uma transmissão ao vivo realizada em janeiro intitulada "Vax para crianças. Quem serão os responsáveis?". O conteúdo questionava a eficácia e segurança da vacinação entre crianças de 5 e 11 anos, ainda que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e órgãos de saúde de outros países tenham revisado dados científicos para aprovar a imunização desta faixa-etária. O vídeo foi excluído pelo Youtube, mas segue disponível em outras redes sociais.

Em nota, a plataforma diz remover vídeos que violam diretrizes de desinformação médica da empresa. “Não permitimos conteúdo com alegações de que as vacinas causam efeitos colaterais crônicos além das reações adversas raras que são reconhecidas pelas autoridades de saúde, que questione a eficácia dessas vacinas com alegações de que elas não reduzem a transmissão e a contaminação por doenças ou ainda que questione as substâncias contidas nas vacinas.”, afirma o comunicado.

Procurada pelo Estadão para comentar o bloqueio, a assessoria de imprensa de Bia Kicis disse que não vai se manifestar.

No início de fevereiro, Bia Kicis sofreu uma punição semelhante no Instagram. A rede social apagou conteúdos do perfil da parlamentar e a impediu de realizar transmissões ao vivo por uma semana. Conteúdos publicados pela parlamentar já foram alvo de verificações do Estadão Verifica, incluindo boatos enganosos contra o uso de máscaras e efeitos adversos de vacinas.

Primeiro aviso

A punição ao perfil de Bia Kicis é o primeiro estágio de um sistema de sanções do YouTube para contas que violam as diretrizes da comunidade da plataforma. Na primeira ocorrência, o perfil é impossibilitado de enviar vídeos, gravações curtas ou realizar transmissões ao vivo por uma semana. Se o YouTube identificar uma segunda violação no período de 90 dias, o perfil fica novamente impossibilitado de publicar conteúdos, dessa vez, por duas semanas.

Caso o perfil não seja mais punido no período de 90 dias do último aviso, o registro de ocorrências volta ao início. Na hipótese de um terceiro aviso neste período, entretanto, a conta é excluída permanentemente.

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