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Youssef reafirma que Dilma e Lula sabiam de esquema na Petrobrás

Em acareação com Paulo Roberto Costa na CPI da Petrobrás, doleiro reitera depoimentos em sua delação; ex-diretor, contudo, nega que ex-presidente e presidente sabiam de desvios

DAIENE CARDOSO, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 16h33

Brasília - Os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef reafirmaram na CPI da Petrobrás trechos de depoimentos já prestados aos investigadores da Lava Jato em suas colaborações premiada. Enquanto o doleiro voltou a afirmar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff tinha conhecimento do esquema, Paulo Roberto Costa disse que nunca tratou do esquema com Dilma ou Lula e que foi José Janene (morto em 2010) quem o indicou para o cargo de diretor da Petrobrás.

"No meu entendimento, quando o Paulo Roberto, nas discussões e nas brigas do partido, ele pedia um sinal do Palácio do Planalto ... No meu entendimento,  tinha conhecimento", disse o doleiro.

Já Costa reiterou que nunca conversou com Dilma Rousseff ou com o ex-presidente Lula sobre sua nomeação, que o convite para o posto veio de Janene. "Nunca conversei com Lula sobre isso", afirmou. Ambos também confirmaram que através da empreiteira Queiroz Galvão foi pago R$ 10 milhões para que uma CPI mista da Petrobrás no Congresso em 2009 não prosperasse. Eles reeiteraram que pagamento foi feito ao ex-senador Sérgio Guerra (PSDB-PE).

Sobre outro episódio, do pagamento da dívida que a Petrobrás tinha com a agência de publicidade Muranno Marketing, ambos recuaram e afirmaram que ficaram sabendo da solicitação somente de José Sérgio Gabrielli. Antes, eles chegaram a afirmar que Lula telefonou para o então presidente da estatal petrolífera e o cobrou para quitar a dívida.

Youssef disse que não se lembrava de ter citado na delação premiada o ex-presidente no episódio envolvendo a agência de publicidade  Aos investigadores, o doleiro afirmou que Lula teria dado uma ordem em 2010 ao então presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, para que ele resolvesse uma pendência com a agência de publicidade suspeita de integrar o esquema de corrupção na estatal. O doleiro chegou a ser questionado pelos deputados, e negou que esteja protegendo em sua delação premiada o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não estou protegendo Lula, não o conheço, não tenho por que protegê-lo", declarou.

Sobre o episódio, Costa disse à CPI que foi chamado por Gabrielli para resolver um problema da Muranno e que acionou Youssef para buscar uma solução. Costa afirmou que desconhecia ser um pedido de Lula..

Refinaria. Sobre a compra da refinaria de Pasadena, Costa repetiu que o negócio foi de responsabilidade do Conselho de Administração da Petrobrás, à época presidido por Dilma. Youssef disse aos deputados que optou pela delação premiada porque entendia que era "uma peça na engrenagem desse processo todo". "Ao contrário do processo anterior (caso Banestado), não teve nenhuma omissão, nenhuma mentira (agora)", disse.

Paulo Roberto Costa disse que Gabrielli era o responsável pelo setor de Novos Negócios, área que cuidava de aquisições pela estatal, entre elas a compra da Petroquímica Suzano. A subrelatoria do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) investiga se a estatal pagou mais caro pela compra da petroquímica. "A palavra final sobre aquisições era de Gabrielli", disse. Ele foi questionado pelo deputado se teve contato com David Feffer, do Grupo Suzano, e Costa disse que se encontrou com ele para tratar de negócios "várias vezes".

Furnas. Youssef ainda reiterou que havia pagamento de propinas em uma diretoria de Furnas que era dividido entre o PP e o PSDB, sendo direcionada para o atual presidente da sigla Aécio Neves por meio de sua irmã

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