Yeda volta a mudar equipe e fala em reeleição

Em 32 meses de gestão, já são 25 trocas no primeiro escalão, média de uma a cada 38 dias

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2009 | 00h00

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), mudou ontem o comando de quatro secretarias, aproximou o PP de sua administração e indicou que vai concorrer à reeleição em 2010. Em 32 meses de gestão da tucana, já são 25 as trocas no primeiro escalão, média de uma a cada 38 dias.

O diretor de planejamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Otomar Vivian (PP), assumiu a chefia da Casa Civil, no lugar de José Alberto Wenzel (PSDB), transferido para a Secretaria de Relações Institucionais - de onde Celso Bernardi (PP) saiu para substituir Vivian no BRDE.

Além da triangulação, Yeda trocou o secretário-geral de governo - tirou Erik Camarano do posto e pôs em seu lugar Ana Pellini. Aceitou igualmente o pedido de afastamento da secretária de Educação, Mariza Abreu (PSDB), nomeando o também tucano Ervino Deon para o cargo.

A mudança mais significativa para o momento político foi a da Casa Civil. A escolha de Vivian pode ser a solução para diversos problemas.

Ex-presidente da Assembleia, ele tem condições de transitar com desenvoltura entre os aliados, tanto para fazer valer a maioria de 8 votos contra 4 na CPI que investiga supostas irregularidades na administração estadual, quanto para aprovar o plano de carreira do funcionalismo e o Orçamento de 2010.

Ao entregar a Casa Civil ao PP, Yeda pode pavimentar os caminhos do PSDB para 2010. O comando nacional do partido percebeu que a candidatura tucana à Presidência sofreu prejuízos com as acusações de corrupção feitas pela oposição no Rio Grande do Sul e interpretou como uma "luz vermelha" a recente pesquisa do Instituto Vox Populi para a revista Voto que mostrou Dilma Rousseff (PT) um ponto à frente de José Serra (PSDB) nas intenções de voto dos gaúchos.

Para reverter a situação, o partido sugeriu que Yeda fizesse ampla reforma de seu governo. Ela ainda não comentou publicamente as orientações que recebeu do comando nacional, mas as mudanças de ontem deixam caminho aberto para uma forte aliança para sua reeleição e para oferecer palanque ao candidato tucano à Presidência.

Ao contrário do que ocorre em outros Estados, o PP é um dos maiores partidos do Rio Grande do Sul - conta com 148 das 496 prefeituras, 9 deputados estaduais e 5 federais. É a segunda maior bancada do Estado, com o mesmo número de parlamentares do PMDB e atrás do PT.

Durante discurso, Yeda deixou transparecer suas intenções eleitorais. "Em 2010 teremos, aí sim sob as regras da lei, um grande debate com todos os gaúchos sobre a importância histórica de reafirmar nosso projeto", afirmou. "O Rio Grande do Sul mudou muito, embora alguns não queiram aceitar, e peço à base aliada que continue nos ajudando a implementar as ações necessárias à finalização desse projeto."

Ao assumir, Vivian deu a entender que a aliança é viável. "Se nós estamos defendendo esse projeto até agora, que exigiu coragem e desprendimento, o partido naturalmente estará aberto para examinar a possibilidade de buscar com que ele possa ter continuidade nos próximos anos", afirmou.

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