Yeda muda secretariado e se aproxima do PP para 2010

Liderança de Dilma frente a Serra em pesquisa faz tucanos reformarem a administração no RS

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2009 | 19h29

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), mudou o comando de quatro secretarias, aproximou o PP de sua administração e indicou que vai concorrer à reeleição em 2010, nesta quarta-feira, 2. As substituições mantêm a alta rotatividade na gestão tucana no Estado. Em 32 meses houve 25 trocas no primeiro escalão, média de uma a cada 38 dias.

 

O diretor de planejamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Otomar Vivian (PP), assumiu a chefia da Casa Civil, no lugar de José Alberto Wenzel (PSDB), que foi transferido para a Secretaria de Relações Institucionais, de onde Celso Bernardi (PP) saiu para substituir Vivian no BRDE.

 

Além da triangulação, Yeda trocou o secretário-geral de governo, tirando Erik Camarano e colocando Ana Pellini, ambos de perfil técnico, e aceitou o pedido de afastamento da secretária da Educação, Mariza Abreu (PSDB), nomeando o também tucano Ervino Deon para o cargo.

 

A mudança mais significativa para o momento político foi a da Casa Civil. A escolha de Vivian pode ser a solução para diversos problemas. Ex-presidente da Assembleia Legislativa, ele pode transitar com desenvoltura entre os aliados, tanto para fazer valer a maioria de oito votos contra quatro na CPI que investiga supostas irregularidades na administração estadual quanto para aprovar o plano de carreira do funcionalismo e o orçamento de 2010.

 

Ao entregar a Casa Civil ao PP, Yeda pode pavimentar os caminhos do PSDB para 2010. O comando nacional do PSDB percebeu que a candidatura à presidência da República sofreu prejuízos com as acusações de corrupção feitas pela oposição no Rio Grande do Sul e interpretou como uma "luz vermelha" a recente pesquisa do Instituto Vox Populi para a revista Voto que mostrou Dilma Rousseff (PT) um ponto à frente de José Serra (PSDB) - 26% a 25% - nas intenções de voto dos gaúchos. Para reverter a situação, sugeriu que a tucana fizesse ampla reforma de seu governo.

 

Yeda ainda não comentou publicamente as orientações que recebeu do comando nacional, mas as mudanças desta quarta-feira deixam o caminho aberto para uma forte aliança para sua reeleição e para oferecer palanque ao candidato tucano à presidência da República. Ao contrário de outros Estados, o PP é um dos maiores partidos do Rio Grande do Sul, onde conta com 148 das 496 prefeituras, nove deputados estaduais e cinco federais, tendo, nos dois casos, a segunda maior bancada, com o mesmo número de parlamentares do PMDB e atrás do PT.

 

Durante breve discurso, Yeda deixou transparecer suas intenções eleitorais para o ano que vem. "Em 2010 teremos, aí sim sob as regras da lei, um grande debate com todos os gaúchos sobre a importância histórica de reafirmar nosso projeto", afirmou. "O Rio Grande do Sul mudou muito, embora alguns não queiram aceitar, e peço à base aliada que continue nos ajudando a implementar as ações necessárias à finalização desse projeto".

 

Ao assumir, Vivian deu a entender que a aliança é viável. "Se nós estamos defendendo esse projeto até agora, que exigiu coragem e desprendimento, o partido naturalmente estará aberto para examinar a possibilidade de buscar com que esse projeto possa ter continuidade nos próximos anos", afirmou.

 

O presidente estadual do PP, Jerônimo Goergen, admitiu que convites como o que Yeda fez a Vivian têm reflexos eleitorais. O partido está fazendo consulta às bases e tem indicativos de que deve participar de coligação em 2010, se possível com a cabeça de chapa. "O palanque do PP é dos mais importantes do Estado", ressalta Goergen.

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