Yeda garante maioria em CPI sobre corrupção

Governistas têm 8 das 12 cadeiras na comissão que vai investigar denúncias contra tucana

Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo,

26 de agosto de 2009 | 19h01

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul instalou nesta quarta-feira, 26, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as suspeitas de corrupção no governo de Yeda Crusius (PSDB), que terá a maioria dos integrantes da comissão.

 

Dos 12 deputados nomeados, oito fazem parte da base governista. Na Casa, a oposição tem apenas 22 votos em um universo de 55.

 

O requerimento para a criação da CPI, proposto pela bancada do PT, de oposição, circulava desde maio, com 17 das 19 assinaturas necessárias à aprovação. A situação mudou em 5 de agosto, quando procuradores da República anunciaram que estavam movendo ação civil de improbidade administrativa contra Yeda e outros oito réus. No dia seguinte, o pedido foi protocolado com 39 adesões.

 

Durante os próximos 120 dias, os deputados vão investigar se agentes públicos do Executivo foram operadores, intermediários ou beneficiários da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007 ou de irregularidades em licitações de merenda escolar, serviços e obras públicas nos 14 inquéritos sigilosos decorrentes da Operação Solidária, da Polícia Federal. A primeira reunião será na próxima segunda-feira, 31.

 

Os governistas devem aproveitar a vantagem da bancada, evitando convocar pessoas próximas a Yeda (como o marido dela, Carlos Crusius) e até de adversários, como o vice-governador Paulo Feijó (DEM), para evitar ataques à governadora.

 

 

"Não vamos blindar ninguém, mas não vamos deixar que a oposição faça sensacionalismo", diz o deputado tucano Adilson Troca. "Chamar quem está denunciado só interessaria à disputa política", completa, dando a entender que a maioria dos requerimentos da oposição tende a ser rejeitada, por buscar pessoas acusadas pelo Ministério Público Federal.

 

A presidente da CPI, Stela Farias (PT), admite que a oposição vai enfrentar um bloqueio, mas acredita que os defensores do governo terão de se curvar às informações que surgirão à medida em que os deputados tiverem acesso a processos no Tribunal de Contas do Estado, na Procuradoria-Geral da República, no Ministério Público Federal e também na Justiça Federal.

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