Yeda é alvo de pedido de impeachment

PSOL e PV acusam governadora gaúcha, que enfrenta desgaste com caso Detran, de improbidade administrativa

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2008 | 00h00

Enquanto os aliados de Yeda Crusius tratam da remontagem do governo, o PSOL e o PV protocolaram ontem pedido de impeachment da governadora na Assembléia. A representação foi elaborada pelo advogado Pedro Ruas, militante do PSOL, que acusa Yeda de improbidade administrativa. Nenhum dos dois partidos tem representante no Legislativo gaúcho.Yeda considera a atitude dos dois partidos como "golpista" e diz que o cargo de governador deve ser conquistado em eleições, e "não no tapetão". O deputado estadual Adilson Troca (PSDB) disse que não há nenhuma sustentação jurídica no pedido. "É apenas a tentativa de criar um fato político." Para a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), contudo, as gravações feitas pelo vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM) mostram que Yeda tinha conhecimento da existência de irregularidades em órgãos públicos, como o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). Segundo a parlamentar, Yeda assinou sentença de culpa ao não repudiar o que disse seu ex-chefe da Casa Civil Cézar Busatto a Feijó, quando admitiu em conversa gravada que o Detran e o Banrisul eram usados como fonte de financiamento de partidos aliados.TCEAlém de colocar o governo estadual em crise, a fraude do Detran, em outro desdobramento, vai pôr sob investigação o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), João Luiz Vargas. Em reunião administrativa, os conselheiros do tribunal decidiram ontem abrir um procedimento prévio de apuração para ver se ele conhecia ou cometeu alguma irregularidade. Vargas foi citado nas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Rodin e foi visitar seu amigo José Fernandes quando este já estava indiciado como participante da fraude. Também tem um filho, Eduardo, apontado pelo Ministério Público Federal como beneficiário do esquema. Vargas disse a seus colegas que podem ficar à vontade para investigá-lo. Ele terá 30 dias para apresentar explicações e, se for o caso, documentos. Se ao fim do prazo o caso não estiver explicado, o tribunal abrirá processo administrativo, que poderá levar a sua exoneração.A força-tarefa criada pelo Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul para acelerar a investigação de irregularidades em órgãos públicos gaúchos se reúne hoje para iniciar os trabalhos. Os 13 promotores designados para integrar a equipe receberão a incumbência de trocar informações sobre expedientes e inquéritos civis já instaurados e trabalhar em conjunto para dar uma resposta rápida à sociedade e ao pedido feito por Yeda na segunda-feira. "Há investigações de desvios de verbas, malversação de recursos e uso indevido do patrimônio público em órgãos como o Detran, o Daer (Departamento Estadual de Estradas e Rodagem), a CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) e o Banrisul", revela o subprocurador-geral de Justiça, Eduardo de Lima Veiga. As investigações nasceram de denúncias diversas nos últimos anos. Mas algumas delas ganharam visibilidade a partir da descoberta de uma fraude de R$ 44 milhões no Detran, praticada por empresas que superfaturavam os serviços, e desdobramentos descobertos pela CPI aberta na Assembléia.

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