Yeda é acusada de comprar casa com caixa 2

PSOL faz denúncias contra governadora e ex-auxiliares, sem mostrar provas

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

Integrantes do PSOL no Rio Grande do Sul acusaram ontem a governadora Yeda Crusius (PSDB) e diversos de seus ex-colaboradores de ter participado ou tomado conhecimento de caixa 2 na campanha eleitoral de 2006 e de usar recursos paralelos e superiores aos informados num contrato de aquisição da casa da tucana.Não foram apresentadas provas. O presidente regional da sigla, Roberto Robaina, a deputada federal Luciana Genro e o vereador Pedro Ruas disseram que formaram convicção a partir de áudios, vídeos e transcrição de depoimentos que integram o processo contra os réus da Operação Rodin, em tramitação na Justiça Federal de Santa Maria. Fontes do Ministério Público e da Justiça Federal negaram a existência dos documentos.O governo do Estado emitiu uma nota de duas linhas, na qual destaca que "as declarações do PSOL foram desmentidas pelo Ministério Público Federal". DELAÇÃOSegundo a denúncia, há áudios e vídeos mostrando representantes de empresas entregando R$ 1 milhão em contribuições à campanha de 2006, sem registro, a pessoas próximas à governadora. Também estariam nos autos peças eletrônicas exibindo a formatação da operação da compra da casa da governadora, no final de 2006, com a entrega de R$ 400 mil "por fora" do contrato tornado público. O pagamento teria sido feito pelo empresário Lair Ferst, um dos investigados pela Operação Rodin, a um corretor de imóveis. Segundo Pedro Ruas, a maior parte das informações foi anexada ao processo depois que Ferst fez um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. A deputada Luciana Genro disse que o partido se preparava para divulgar essas informações depois de um depoimento que o ex-chefe da representação do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcante, faria ao Ministério Público, mas decidiu antecipá-las porque ele morreu. Na terça-feira, bombeiros encontraram o corpo de Cavalcante sob a ponte Juscelino Kubitschek, em Brasília. A polícia investiga o suicídio como hipótese mais provável.O procurador da República Adriano Raldi, que acompanha desdobramentos da Operação Rodin, negou, por sua assessoria, que o PSOL tenha tido acesso a documentos e que os depoimentos citados na entrevista façam parte do processo. Também assegurou que não houve acordo de delação premiada com Ferst.O advogado do empresário, Lúcio Constantino, disse que o PSOL fez colocações que ele e seu cliente desconhecem, mas que, se forem verdadeiras, interessam ao processo.

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