Yeda diz que vai processar presidente da CPI do Detran

Deputado insinua que governadora comprou casa com sobra de campanha

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), anunciou ontem que vai processar o deputado estadual Fabiano Pereira (PT), presidente da CPI do Detran, pelas insinuações que ele fez sobre a compra de uma casa de R$ 750 mil, pela tucana, ao final da campanha política de 2006. "Ele vai ter que provar o que diz", disse Yeda nas entrevistas que deu durante o dia. A governadora ainda não decidiu qual o tipo de ação que moverá. Nos próximos dias ela vai constituir advogado, com quem discutirá se fará apenas uma interpelação judicial ou se iniciará ação criminal ou civil para pedir reparação. O tema da casa da governadora foi levantado pelo deputado Paulo Azeredo (PDT). Na madrugada de terça-feira da semana passada, em sessão da CPI que investiga desvio de R$ 40 milhões no Detran gaúcho desde 2003, o parlamentar citou informação da polícia indicando que uma casa da rua onde mora Yeda teria sido parcialmente paga com sobras da campanha política. Ele se referiu ao caso ao indagar a Francisco Fraga, secretário de governo tucano de Canoas, se ele sabia da história - o que foi negado.Na quinta, à Rádio Gaúcha, Yeda disse que reuniu o dinheiro depois de vender dois apartamentos e um automóvel e de tomar financiamento no Banrisul. Tudo foi informado à Receita, disse ela. Segundo o deputado Pereira, os dados de Yeda não fecham com a declaração de bens da campanha. Posteriormente, ele disse nunca ter feito ataques pessoais à governadora. "Apenas estranhei que a aquisição do imóvel tenha ocorrido logo após o período eleitoral, com boa parte dos valores à vista, quando as finanças da maioria dos candidatos operam no vermelho", comentou. O PT gaúcho se solidarizou com o presidente da CPI. "Se a governadora quer processá-lo, que processe a todos nós, porque endossamos a atuação do presidente da CPI", desafiou o líder Raul Pont.MAIS ACUSADOSO Ministério Público Federal poderá elevar o número de indiciados pela fraude no Detran-RS de 39 citados no inquérito da Polícia Federal para mais de 60. A denúncia será enviada à Justiça em 15 dias. A possibilidade foi admitida pelos procuradores Enrico Rodrigues de Freitas e Alexandre Schneider, que produzem novas provas e cruzam dados para preparar a acusação.A fraude veio à tona em 6 de novembro do ano passado, quando a PF, na Operação Rodin, prendeu 14 pessoas acusadas de montar esquema na autarquia.A polícia descobriu que o Detran-RS contratava a Fundação de Apoio, Ciência e Tecnologia (Fatec) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), sem licitação, para elaboração e aplicação de testes de habilitação de condutores de veículos. A Fatec, por sua vez, subcontratava empresas privadas para executar o serviço ou prestar serviços de apoio. Os preços eram superfaturados e parte do lucro era repassada a diretores da autarquia.Em abril de 2007, a Fatec foi substituída por outra fundação, mas o esquema continuou.

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