Yeda diz que RS não tem dinheiro para contrapartidas

O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, anunciado na segunda-feira, trouxe pelo menos uma decepção e uma preocupação para a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). A decepção é com a falta de previsão de investimentos na ampliação da linha de metrô de superfície que liga Porto Alegre a cidades da região metropolitana. A preocupação é com a previsão de participação do Estado em projetos de habitação e saneamento. "O Rio Grande do Sul não tem como dar contrapartidas enquanto não completar a reestruturação de suas finanças", avisou Yeda, nesta terça-feira.A governadora comparou a apresentação do PAC às mensagens que os governos enviam aos parlamentos em início de legislatura para mostrar o que consideram prioritário nos anos seguintes. E considerou que o pacote chancela uma série de projetos para o Rio Grande do Sul que dependem mais da criação de ambiente adequado ao investimento, como é o caso de usinas hidrelétricas, do que de verbas do governo federal."Eu sonhava com a ampliação da linha do metrô", admitiu a governadora, que confessou uma "inveja positiva" de Fortaleza, contemplada com projeto semelhante. Yeda destacou que a construção de mais um trecho de trilhos, para fazer com que os trens de superfície cheguem até Novo Hamburgo, desafogaria o tráfego rodoviária de uma região que tem três universidades e um aglomerado de indústrias calçadistas. Por enquanto, a linha operada por um empresa federal, a Trensurb, vai de Porto Alegre a São Leopoldo.A perspectiva de participar do financiamento a programas de habitação e saneamento não está contemplada neste momento pelo governo gaúcho, às voltas com grave crise financeira que aponta para um déficit fiscal de R$ 2,3 bilhões neste ano. Yeda acredita que seu problema poderia ser parcialmente aliviado se o governo federal oferecesse compensações adequadas pela desoneração das exportações e para os setores exportadores prejudicados pelo câmbio.Para a governadora gaúcha, a apresentação do PAC foi o momento de ouvir. No dia 6 de março, na reunião dos governadores com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será o momento de falar da agenda federativa, comum a todos os Estados, e também de apresentar demandas individuais. O metrô de superfície até Novo Hamburgo estará na pauta de Yeda.

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